30 de abril de 2013

Forever Young

Lembro-me de estar sentada num banco. O verbo era esperar.

Sentada ali
Sentia as árvores secas

Ao seu redor.

Fim de tarde
Eram dois
Éramos dois

Os dias.

Que.

O banco esperava
A noite cair, para.

Fazia-se luz
Apenas de um poste

Sobre as palavras
Fazia-se a verdade

Os galhos estavam secos
Sobre os meus olhos

Que.

O céu ficou azul
As árvores ficaram pretas

O céu era preto
As árvores eram azuis

Tomou o suco de céu
Teu remédio alaranjado

Como o sol
Nasce sempre mais

-Um dia.

Quando tu chegou
Elas se perderam
Elas se esconderam

Para guardar.

Contigo
Comigo
- Nossas palavras, pra sempre jovens.

(MAGALHÃES, Marina Fernandes)

27 de abril de 2013

Sem título 7

Funesta madrugada,
Mergulho fundo
No limbo da solidão.
Chamam por mim
As almas perdidas,
Em lúgubre silêncio permaneço.

Filho do abandono
Me alimento
De meu próprio
Desespero.

Destinado à
Eterna desgraça rastejo pela alma dos
Dias sem fim...
...à espera
Da mão delicada
Que me conduza
Ao profundo.
A mão,
Que delicadamente
Me empurre
Para o abismo.

(Autor desconhecido)

24 de abril de 2013

Sobre a poesia comungada quando dois

À beira do verso, te descobri por detrás da palavra.
E para me perder em teus instantes úmidos, teria de prová-la. Devorar o gosto que ela guardava. Masquei a entrega desta assimilação e lancei-me na tua escrita. Teu corpo, estendido sobre o papel, era coberto dela, que caminhava por cada canto e recanto. Dos versos preliminares, consumados por lábios sedentos de busca, desceu pelo pescoço a (lingua)gem. Insinuou uma de tuas estrofes para a escrita dos suspiros. Percorri ela com poesia dita no teu ouvido. E o gozo das tuas palavras penetrou na minha leitura. A antropofagia da palavra encarnada nos provou. Comungou de nossos corpos.

(GRASSI, Pâmela Cervelin - Facebook)

21 de abril de 2013

Fragmento

Quero um abraço abrasado na abrangência de teus braços
Quero teus braços na abrangência de tuas possibilidades
Quero as tuas possibilidades na abrangência de teu abismo
Quero teu abismo na abrangência da nossa

q
u
e
d
a

(GRASSI, Pâmela Cervelin - Facebook)

18 de abril de 2013

Desespero(-te?)

Por que a inquietude extrema?
De fato, implorei, invoquei e empreguei:
Vós, tão supremos, com vossos jogos sádicos,
A nós destinamos a miséria,
Que a matéria, fétida, invulgarmente pútrida,
Pérfida, por excelência,
Sórdida em sua quintessência,
É nosso domínio:
A nós pertence a dúvida,
A nós pertencem as lacunas.

Bêbados, filhos de escunas malditas,
Seguimos, singrando, sangrando,
Eternamente clamando por alguém,
Tão bastardo quanto todos nós (embora, desde o começo até o fim, nos saibamos sós):
E é por isso que somos portadores do amor,
Cúmplices no infortúnio, solidários na dor,
Nós, todos, nós.

15 de abril de 2013

des-Esperar

Por um breve instante, perdida no resto de sono que me prendia à semiconsciência do acordar, tudo pareceu paz. Mas com o despertar completo, logo a sensação desapareceu, ao contrário da leve luz de um dia frio entrando através da janela, e um sentimento abafado de dor tomou o lugar.

Liguei o rádio no volume mais alto que pude, mas não o suficiente para causar encrenca com os vizinhos, de forma que o som da previsão do tempo se misturasse ao ar pesado que preenchia todos os cômodos.

Vesti minha melhor roupa – e, por melhor, entenda-se a mais quente e pesada que encontrei no armário -, calcei as botas, joguei alguns itens na bolsa e parti para o elevador. Com o leve impacto da descida, meu estômago revirou em ondas, e suei frio. Encostei-me à parede acolchoada respirando fundo, visualizando um campo aberto e verde onde meus pulmões pudessem trabalhar sem maiores transtornos.

(às vezes, quando era criança, tinha um sonho recorrente no qual estava em um quarto, e as paredes laterais iam se estreitando. Nunca cheguei ao final do sonho, ou pelo menos nunca me lembrei dele ao me acordar, para saber se as paredes chegariam a se unir).

12 de abril de 2013

Caminho do ser (para ser)

sinto esta constante e intensa inquietude
a provocar, na essência, esta reflexão;
busco, encontrar assim, a plenitude
deste ser, neste corpo, esta imensidão

ao lutar para ser um homem melhor
nesta cruzada interna enfrento os medos
dentro do âmago liberto a minha dor
enfrento a dúvida e afasto os apegos

(1) e sim, agora houve uma mudança
(2) e sim, posso agora também transformar
(3) caminho este eu preparo para seguir

(1) eu sei, precisa ter perseverança
(2) e atitude correta manifestar
(3) neste novo mundo para ele existir

(OLY, Walter)

*misture os números e faça a rima que você quiser.

9 de abril de 2013

O cessar

As mãos passam pela face ferida
Olhos que não vêem o espelho,
O escoar do sangue vermelho
E a porta de saída.

Em um túmulo sua alma caída
Coberta por um horizontal muro
Presa em um quarto apertado e escuro
Acompanhando a carne apodrecida.

Sua arma foi a carta de despedida
Cego e só, caído em amargura
Foi no coração, aberta uma ruptura
Onde sua vida cairá destruída.

Morbidez em sua pele empalidecida
Nos olhos verdes, um olhar profundo
Contemplou o anoitecer de seu mundo

- Adeus minha dor querida!

O silêncio ensurdeceu o seu ser
Sua alma muda, grita e clama
Pela ajuda de quem ama
E não tarde, decide morrer.

(EINSAM)

6 de abril de 2013

O desespero


Tiro o telefone do bolso e ligo. Desligo, desisto. Ansiedade. Olho ao redor, todos parecem irritantemente alegres em suas conversas. Vazio. Encho uma taça qualquer com um vinho tinto barato. Amargo. Doce era teu gosto na minha boca. Volto para um pequeno grupo que me entretém numa conversa rápida. O tempo se arrasta. Nenhuma chamada recebida. Tento ver através da janela, mas só chove. Eu não queria estar aqui, esse lugar está cheio de gente. Solidão. Vou até o banheiro, olho no espelho e sinto vontade de chorar. Essa noite não. Música alta, todos cantando, rindo e dançando. Máscaras. Tenho que sair daqui, mas ainda é cedo. Tarda a amanhecer e eu quero mais bebida, muita bebida, qualquer coisa que me entorpeça. Toca telefone! Droga! Preciso de drogas, da única que me acalma. Uma overdose de ti. O vinho faz efeito, finalmente, fielmente. Ao redor tudo gira, sensação boa de não sentir (quase) nada. Tudo me falta. Quero me perder, mas tenho que te encontrar, logo. Essa noite sim. Agora. Saio sem me despedir de ninguém, e todos vão perceber. Entro no carro e vejo a chuva cair e escorrer pelo vidro. Vejo teu rosto, olhando pra mim. Saudade. Tenho que ir para casa. Dormir e esquecer. Lembro do teu riso. Dói. Ligo o carro e o caminho está incerto. É certo que me perdi, ao te perder. Tudo de novo? Não! Chega de repetir os mesmos erros. Acertei em prosseguir! Dou ré e estaciono em frente a tua casa. Meu coração dispara. A chuva não vai parar tão cedo. Meu coração para. Vejo-te na janela por uma fração de segundo. Será miragem do deserto que agora é minha vida? Minha boca está seca. Deito no banco de trás e fico olhando para a luz fraca que vem do teu quarto. Quero entrar, te abraçar e beijar e não mais soltar. Largo o freio de mão e penso em ir embora e não voltar, nunca mais. Sempre vou te amar. Eu me odeio por ser tão fraca. Forte ainda é o teu cheiro nas minhas roupas. Cansei. Sento atrás do volante e decido que tudo que existia entre nós acabou. Começo a correr até a tua porta. Antes de eu bater, você abre e... 
“Do amor pouco sei e quase tudo espero. Amando eu me acalmo e me desespero.” Cazuza.

(PADILHA, Paola)

3 de abril de 2013

Sem título 6


Vivo nesse mundo de desgosto 
E não há sequer um rosto 
Que não saiba o que é chorar

Vivo nesse mar de indiferença 
E na dança do progresso 
Muitos não podem dançar

Vivo no planeta do descaso 
E vislumbro no atraso 
Toda a vida declinar...

Vivo e só assisto à discrepância 
Pois se perdeu, até na infância, 
O direito de sonhar

Vivo, mas não vejo mais motivo 
Nem sentido de estar vivo 
Vou deixá-la me levar

Morro, porque então na minha morte 
Não me falta a dita sorte 
Que se esqueceu de me encontrar!

(ARIOTTI, Johny Dotto)
 

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