3 de junho de 2013

Segunda-feira

Segunda-feira, não costumo gostar desse dia
As notícias dos jornais não são nada interessantes
As músicas que ouço,
São como pessoas gritando por socorro
Porque tudo parece estar errado hoje?
Teria algo haver com o dia que eu odeio,
A chuva que cai agora sobre nós
Parece limpar cada lágrima qeu cai sobre o seu rosto
Eu não sei se é certo dizer,
Que talvez jamais levarei você comigo
Sempre estive olhando fixamente para você
Mas você sempre me deu motivos para desviar o olhar
Talvez eu deveria nunca ter crescido,
Como uma criança eu poderia imaginar meus pés sobre as nuvens
Talvez eu precise morrer para sobreviver,
Para apagar a imagem de quem fui até hoje
E essa segunda parece estar chegando ao fim
Eu não queria te dizer,
Mas eu preciso ir, e por favor
Não me faça olhar para trás.

(Raphaela Bianchi)

30 de maio de 2013

Lírico renitente

Atado ao fio de um verso;

suspenso pelos pés
de um substantivo abstrato;

flagelado a golpes de vírgula,
cutiladas de exclamação;

EU,

remanescente,
réu reincidente,
lírico renitente,

condenado a arder pra todo o sempre
no fogo-fátuo
de uma adjetivadíssima aflição!

(SANDMANN, Marcelo)

26 de maio de 2013

O artista inconfessável

Fazer o que seja é inútil.
Não fazer nada é inútil.
Mas entre fazer e não fazer
mais vale o inútil do fazer.
Mas não, fazer para esquecer
que é inútil: nunca o esquecer.
Mas fazer o inútil sabendo
que ele é inútil, e bem sabendo
que é inútil e que seu sentido
não será sequer pressentido,
fazer: porque ele é mais difícil
do que não fazer, e dificil-
mente se poderá dizer
com mais desdém, ou então dizer
mais direto ao leitor Ninguém
que o feito o foi para ninguém.

(NETO, João Cabral de Melo)

22 de maio de 2013

Poeta

Acabou o fôlego.
E o coração já desgastado
de tanto metaforizá-lo
bate
     sem convicção.

O verso por tempo
me bastou.
     Toda a vida
era para o branco ocioso do papel.

Acabou o fôlego
e não me basto a mim mesmo.
Sento. A cabeça é vazia
de qualquer palavra.
Penso repetido,
nunca houve esforço em pensar.
Amo uma mulher
e isso é problema meu.

(FERRAZ, Heitor)

20 de maio de 2013

1 ano de furtos!

Hoje completa-se um ano desde que comecei a furtar textos.
De lá para cá, o blog cresceu bastante. De uma maneira que até eu me admirei, pois dos meus (mil!) blogs (inativos, já), este é o único que deu certo.
E para comemorar, lanço o novo layout do blog. Bem mais moderno e limpo.
O que acharam? Bonito, né?!

Agradeço a vocês, leitores, aos amigos da internet e a minha boa vontade. :P

Abaixo estão as cinco publicações mais lidas desta pequena história do Furtando Textos:


Aproveite o aniversário do Furtando Textos e curte a página no Facebook. :)

Agora continuemos com nossa programação normal. Continuemos furtando...

18 de maio de 2013

Annabel Lee


Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.
Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor -
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.
E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.
E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.
Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.
Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim 'stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.

(Edgar Allan Poe)

15 de maio de 2013

Otnemirfos

Essa dor assassina
Que me corrói o peito
Alimenta o meu leito
A musicista da carnificina

Sentimento corrosivo
Desejo de morte decisivo
Em uma corda um nó feito
Procurando um fim a essa dor no peito

O Colar da morte envolve a carniça
E com um salto derradeiro
Abandono a cadeira do desespero
E cesso em um funeral sem missa.

(EINSAM)

12 de maio de 2013

O regimento interno da família

(Tal como visto pelas próprias mães)

Artigo Primeiro – A família é constituída de pai, mães e filhos. Os filhos podem ser vários. 
Os pais, segundo antigas anedotas, também podem ser vários. Agora: mãe, só uma.

Artigo Segundo – Compete ao pai:

a) Chefiar a família em todas as circunstâncias; 
b) Prover o sustento dos seus, alardeando-o aos quatro ventos com frases do tipo: eu me mato trabalhando; 
c) Ir ao futebol nos domingos, voltando irritado com o desempenho do time; 
d) Tomar chope; 
e) Participar num carteado de vez em quando; 
f) Dormir nos sábados à tarde, exigindo da família o máximo de silêncio; 
g) Reclamar da comida, das camisas que não estão limpas e dos papéis que somem.

Artigo terceiro – Compete aos filhos:

a) Transformar a casa num caos, desarrumando tudo que encontram pela frente; 
b) Quebrar objetos de estimação; 
c) Encher-se de balas e chocolates, mas não comer nada às refeições; 
d) Chorar à noite quando são pequenos e sumir à noite quando são maiores; 
e) Estragar sapatos, rasgar roupas e perder coisas; 
f) Fazer xixi na cama quando são pequenos e desafiar a autoridade dos pais quando são maiores.

Artigo quarto – São tarefas da mãe (mãe não tem competências, só tarefas):

a) Desdobrar fibra por fibra o coração; 
b) Sofrer no paraíso; 
c) Acordar às seis da manhã para preparar os filhos para o colégio; 
d) Limpar, limpar, limpar; lavar, lavar, lavar; arrumar, arrumar, arrumar; 
e) Suspirar pela carreira desperdiçada; invejar as amigas que não casaram, que são independentes, que têm uma profissão; 
f) Amaldiçoar o papel de mãe, mas 
g) Correr cada vez que o filho chora, aos gritos de Não chora, filhinho, a mamãe já vai aí!

(SCLIAR, Moacyr)

*Crônica em homenagem ao dia das mães furtado do livro Minha mãe não dorme enquanto eu não chegar.

9 de maio de 2013

Sem título 8

No vale das sombras
Gritos de ódio ecoam no vazio.
Almas perdidas exalam cheiro de morte,
E a carne, já podre, é devorada lentamente.
Flores secas habitam os túmulos,
Secas como os ossos dos que vos esperam.
A escuridão é um refúgio para os que se perdem,
Os que se encontram à morte.
A morte seduz,
Dama negra que decide teu futuro.
O fogo do inferno queima,
E tu, pecador, queimarás eternamente.

(RIBEIRO, Eliza)

6 de maio de 2013

Ojeriza

Passado e presente se fundem,
Se confundem e eu aqui,
Estátua a observar.
Os ventos, leves, cheiro de brisa,
De flor que passava, passou.
E os ventos, os vinhos e os risos
E os caprichos, pousaram em outro hemisfério,
Em outra cabeça, em outro sorriso, em outra taça...
Congelada ficou no tempo e no espaço a minha dor,
O meu furor – formou novo caminho e cicatrizes.
E aquela ruga no espelho, e aquelas interrogações,
Já chegaram?
Ansiedade estancada de necessidades maiores.
E o meu eu onde andará?
Não sei.
Ojeriza.

(BILYCZ, Nara)

3 de maio de 2013

Indiferença e vazio

Nada.
Nada que nem branco e preto
Preto e branco
Sem sentimento.
Nada
Vezes mais nada
Indiferença que nem desinteresse
Nada
Mais nada.
Outros. Menos tu.
Nada
Dar de ombros
Talvez igual a nada.
Sim e não
Diferente de indiferentes
Que são iguais a nada.
Nada, mais nada e nada de nada.

(MAGALHÃES, Lyege)

30 de abril de 2013

Forever Young

Lembro-me de estar sentada num banco. O verbo era esperar.

Sentada ali
Sentia as árvores secas

Ao seu redor.

Fim de tarde
Eram dois
Éramos dois

Os dias.

Que.

O banco esperava
A noite cair, para.

Fazia-se luz
Apenas de um poste

Sobre as palavras
Fazia-se a verdade

Os galhos estavam secos
Sobre os meus olhos

Que.

O céu ficou azul
As árvores ficaram pretas

O céu era preto
As árvores eram azuis

Tomou o suco de céu
Teu remédio alaranjado

Como o sol
Nasce sempre mais

-Um dia.

Quando tu chegou
Elas se perderam
Elas se esconderam

Para guardar.

Contigo
Comigo
- Nossas palavras, pra sempre jovens.

(MAGALHÃES, Marina Fernandes)

27 de abril de 2013

Sem título 7

Funesta madrugada,
Mergulho fundo
No limbo da solidão.
Chamam por mim
As almas perdidas,
Em lúgubre silêncio permaneço.

Filho do abandono
Me alimento
De meu próprio
Desespero.

Destinado à
Eterna desgraça rastejo pela alma dos
Dias sem fim...
...à espera
Da mão delicada
Que me conduza
Ao profundo.
A mão,
Que delicadamente
Me empurre
Para o abismo.

(Autor desconhecido)

24 de abril de 2013

Sobre a poesia comungada quando dois

À beira do verso, te descobri por detrás da palavra.
E para me perder em teus instantes úmidos, teria de prová-la. Devorar o gosto que ela guardava. Masquei a entrega desta assimilação e lancei-me na tua escrita. Teu corpo, estendido sobre o papel, era coberto dela, que caminhava por cada canto e recanto. Dos versos preliminares, consumados por lábios sedentos de busca, desceu pelo pescoço a (lingua)gem. Insinuou uma de tuas estrofes para a escrita dos suspiros. Percorri ela com poesia dita no teu ouvido. E o gozo das tuas palavras penetrou na minha leitura. A antropofagia da palavra encarnada nos provou. Comungou de nossos corpos.

(GRASSI, Pâmela Cervelin - Facebook)

21 de abril de 2013

Fragmento

Quero um abraço abrasado na abrangência de teus braços
Quero teus braços na abrangência de tuas possibilidades
Quero as tuas possibilidades na abrangência de teu abismo
Quero teu abismo na abrangência da nossa

q
u
e
d
a

(GRASSI, Pâmela Cervelin - Facebook)

18 de abril de 2013

Desespero(-te?)

Por que a inquietude extrema?
De fato, implorei, invoquei e empreguei:
Vós, tão supremos, com vossos jogos sádicos,
A nós destinamos a miséria,
Que a matéria, fétida, invulgarmente pútrida,
Pérfida, por excelência,
Sórdida em sua quintessência,
É nosso domínio:
A nós pertence a dúvida,
A nós pertencem as lacunas.

Bêbados, filhos de escunas malditas,
Seguimos, singrando, sangrando,
Eternamente clamando por alguém,
Tão bastardo quanto todos nós (embora, desde o começo até o fim, nos saibamos sós):
E é por isso que somos portadores do amor,
Cúmplices no infortúnio, solidários na dor,
Nós, todos, nós.

15 de abril de 2013

des-Esperar

Por um breve instante, perdida no resto de sono que me prendia à semiconsciência do acordar, tudo pareceu paz. Mas com o despertar completo, logo a sensação desapareceu, ao contrário da leve luz de um dia frio entrando através da janela, e um sentimento abafado de dor tomou o lugar.

Liguei o rádio no volume mais alto que pude, mas não o suficiente para causar encrenca com os vizinhos, de forma que o som da previsão do tempo se misturasse ao ar pesado que preenchia todos os cômodos.

Vesti minha melhor roupa – e, por melhor, entenda-se a mais quente e pesada que encontrei no armário -, calcei as botas, joguei alguns itens na bolsa e parti para o elevador. Com o leve impacto da descida, meu estômago revirou em ondas, e suei frio. Encostei-me à parede acolchoada respirando fundo, visualizando um campo aberto e verde onde meus pulmões pudessem trabalhar sem maiores transtornos.

(às vezes, quando era criança, tinha um sonho recorrente no qual estava em um quarto, e as paredes laterais iam se estreitando. Nunca cheguei ao final do sonho, ou pelo menos nunca me lembrei dele ao me acordar, para saber se as paredes chegariam a se unir).

12 de abril de 2013

Caminho do ser (para ser)

sinto esta constante e intensa inquietude
a provocar, na essência, esta reflexão;
busco, encontrar assim, a plenitude
deste ser, neste corpo, esta imensidão

ao lutar para ser um homem melhor
nesta cruzada interna enfrento os medos
dentro do âmago liberto a minha dor
enfrento a dúvida e afasto os apegos

(1) e sim, agora houve uma mudança
(2) e sim, posso agora também transformar
(3) caminho este eu preparo para seguir

(1) eu sei, precisa ter perseverança
(2) e atitude correta manifestar
(3) neste novo mundo para ele existir

(OLY, Walter)

*misture os números e faça a rima que você quiser.

9 de abril de 2013

O cessar

As mãos passam pela face ferida
Olhos que não vêem o espelho,
O escoar do sangue vermelho
E a porta de saída.

Em um túmulo sua alma caída
Coberta por um horizontal muro
Presa em um quarto apertado e escuro
Acompanhando a carne apodrecida.

Sua arma foi a carta de despedida
Cego e só, caído em amargura
Foi no coração, aberta uma ruptura
Onde sua vida cairá destruída.

Morbidez em sua pele empalidecida
Nos olhos verdes, um olhar profundo
Contemplou o anoitecer de seu mundo

- Adeus minha dor querida!

O silêncio ensurdeceu o seu ser
Sua alma muda, grita e clama
Pela ajuda de quem ama
E não tarde, decide morrer.

(EINSAM)

6 de abril de 2013

O desespero


Tiro o telefone do bolso e ligo. Desligo, desisto. Ansiedade. Olho ao redor, todos parecem irritantemente alegres em suas conversas. Vazio. Encho uma taça qualquer com um vinho tinto barato. Amargo. Doce era teu gosto na minha boca. Volto para um pequeno grupo que me entretém numa conversa rápida. O tempo se arrasta. Nenhuma chamada recebida. Tento ver através da janela, mas só chove. Eu não queria estar aqui, esse lugar está cheio de gente. Solidão. Vou até o banheiro, olho no espelho e sinto vontade de chorar. Essa noite não. Música alta, todos cantando, rindo e dançando. Máscaras. Tenho que sair daqui, mas ainda é cedo. Tarda a amanhecer e eu quero mais bebida, muita bebida, qualquer coisa que me entorpeça. Toca telefone! Droga! Preciso de drogas, da única que me acalma. Uma overdose de ti. O vinho faz efeito, finalmente, fielmente. Ao redor tudo gira, sensação boa de não sentir (quase) nada. Tudo me falta. Quero me perder, mas tenho que te encontrar, logo. Essa noite sim. Agora. Saio sem me despedir de ninguém, e todos vão perceber. Entro no carro e vejo a chuva cair e escorrer pelo vidro. Vejo teu rosto, olhando pra mim. Saudade. Tenho que ir para casa. Dormir e esquecer. Lembro do teu riso. Dói. Ligo o carro e o caminho está incerto. É certo que me perdi, ao te perder. Tudo de novo? Não! Chega de repetir os mesmos erros. Acertei em prosseguir! Dou ré e estaciono em frente a tua casa. Meu coração dispara. A chuva não vai parar tão cedo. Meu coração para. Vejo-te na janela por uma fração de segundo. Será miragem do deserto que agora é minha vida? Minha boca está seca. Deito no banco de trás e fico olhando para a luz fraca que vem do teu quarto. Quero entrar, te abraçar e beijar e não mais soltar. Largo o freio de mão e penso em ir embora e não voltar, nunca mais. Sempre vou te amar. Eu me odeio por ser tão fraca. Forte ainda é o teu cheiro nas minhas roupas. Cansei. Sento atrás do volante e decido que tudo que existia entre nós acabou. Começo a correr até a tua porta. Antes de eu bater, você abre e... 
“Do amor pouco sei e quase tudo espero. Amando eu me acalmo e me desespero.” Cazuza.

(PADILHA, Paola)

3 de abril de 2013

Sem título 6


Vivo nesse mundo de desgosto 
E não há sequer um rosto 
Que não saiba o que é chorar

Vivo nesse mar de indiferença 
E na dança do progresso 
Muitos não podem dançar

Vivo no planeta do descaso 
E vislumbro no atraso 
Toda a vida declinar...

Vivo e só assisto à discrepância 
Pois se perdeu, até na infância, 
O direito de sonhar

Vivo, mas não vejo mais motivo 
Nem sentido de estar vivo 
Vou deixá-la me levar

Morro, porque então na minha morte 
Não me falta a dita sorte 
Que se esqueceu de me encontrar!

(ARIOTTI, Johny Dotto)

31 de março de 2013

Houve um tempo...

Em que tudo que me dizias me emocionava.
Em que toda ligação era uma euforia. 
Em que, a cada encontro, o tempo não passava. 
E no vazio não havia agonia.

Toda a alegria, que era desmesurada, 
Toda a vontade de lhe ver, 
Se transformou em nada: 
Apenas vontade de esquecer.

Foi como um sonho perfeito, 
Que não se imaginava acordar. 
Tudo mágico e satisfeito. 
Difícil não se encantar.

Como uma profunda desilusão, 
O amor foi acabando; 
A dor mais triste do mundo, 
Ver nosso amor desmoronando.

(WAECHTER, Karen)

28 de março de 2013

Para uma mulher linda


Você é linda 
Lindamente linda 
Lindamente mente 
Minha mente mente 
Da ilusão que és.

Você é linda 
E mais linda 
Não pode ser 
Não posso querer 
Nem posso viver.

Você é linda 
No brilho do mar 
No sensual olhar 
No resto de encanto 
Que deixas no ar.

Você é linda 
E mais linda 
Não pode ser 
Só posso querer 
Teu querer meu querer 
E morrer.

(RODRIGUES, Victor Hugo Guimarães)

25 de março de 2013

Mulher – musa inspiradora


Mulher: Musa dos meus sonhos e olhares
                      pensamentos;
                      caminhos;
                      passos. 
É sempre linda demais 
Que me faz delirar. 
Ao meu ser me traz paz, 
Amor pra te amar.

Seja como for 
Sempre te venero 
Desejo o teu amor, 
Mesmo longe eu te espero.

Te vejo muito meiga e carinhosa 
Em tudo o que faz 
Te sinto bela e formosa 
Como cantam os sabiás.

Mulher simples e sensual 
Com andar de sedutora 
Tens um belo visual, 
Mais parece uma doutora.

Para mim és musa ideal 
Que todos querem ternamente 
És muito jovial 
Não me basta querer.

Quando quer 
Sabe ser charmosa e versátil. 
Não perde nem sequer 
Seu ar gentil e ágil.

Digam o que disser 
Para ti só digo sim. 
Minha musa, minha mulher, 
Eu te quero dentro de mim.

Quando deito penso em ti 
E caio em profundos sonos. 
Imagino-te em mim, 
Dentro dos meus sonhos.

Cada vez que observo 
A mata, o mar imenso. 
Pra ti eu me preservo 
O tempo todo e em pensamento. 
Cada rumo que percorro 
Tu és o meu caminho 
E quando preciso de socorro 
Retira meu espinho.

Em todo canto 
Em cada espaço. 
Sinto o teu manto, 
Protegendo os meus passos.

M ulher 
I mpecável 
N eutraliza 
H omens 
A paixonados

M ulher! 
Ú nica! 
S ubmissa 
A mor.

I nsolúvel! 
N unca 
S erá 
P erdido 
I magens 
R aras e 
A nimadas, 
D ando 
O lhares 
R adiais de 
A mor sedutor.

(POZZEBON, Venceslau)

22 de março de 2013

Jovem


Impaciente, 
Sonhador, 
a procura... 
de um verdadeiro amor.

Aventuras quer viver 
mistérios desvendar, 
sabendo que ao longo do caminho 
dificuldades poderá encontrar.

Gosto de cantar, 
dançar, 
romper o silêncio, 
com até mesmo um simples olhar.

(ZAMBELLI, Tatiane Cristina)

19 de março de 2013

Estrangeira


Algum lugar me espera...
                     Na viagem das horas
                     um mundo de (des)caminhos. 
Vou
                     me expor
                     às janelas
                                sem fronteiras,
                     à descoberta, 
e me deixar ficar 
no espaço e tempo dos possíveis.

Os apertos de mãos fugazes 
procuram o que me faz sentir
                     estranha aos meus amigos,
                     estrangeira 
onde sempre morei. Sempre?...
                     Entre encontros e desencontros, 
queria me achar 
num país mais social,
                     menos indignado, 
povoado por vidas mais vividas.

Folheando manhãs,
                     acenarei saudades 
e cartões postais, notícias ou raízes?
                     Talvez me veja em olhos familiares
                     de rostos desconhecidos 
que conjugam silenciosos
                     e nunca voltar 
a partir
                     sem nada 
a dizer.

(SCURO, Tânia Maria)

16 de março de 2013

Amar, é


Ver uma flor desabrochar 
é ver um campo florido 
se abraçar. 
Amar, é ver a cachoeira 
transbordar 
e o rio inteiro cantar. 
É ver a montanha deslizar 
para se aconchegar 
nas ondas azuis 
do mar. 
Amar, é deitar 
na branca espuma do mar 
e na areia rolar... rolar... 
até o sol brilhar.

(SOARES, Remy de Araújo)

13 de março de 2013

O poeta e o palhaço


É o sonho e a fantasia se mesclando 
O palhaço é o poeta gargalhando 
É o sonhador fugindo a realidade 
Pode ter o coração em pedaços 
Mas leva a todos com desembaraço 
Um mundo de hilaridade 
Como é gostoso ser criança 
Se ver num mundo cheio de esperança 
E ver num sorriso o sentido da vida 
Desejamos que o palhaço sorridente 
Seja sempre um poeta muito ardente 
E que a alegria não precise ser fingida

Que encontre pela vida compreensão 
Que o seu angelical coração 
Esteja cheio de amor pra dividir 
Que a dor não cruze o seu caminho 
Que encontre todo o carinho 
Para fazer o nosso povo sorrir.

Entre o poeta e o palhaço eu me sinto 
E entre os dois eu me incluo 
Pois sou mescla de risos e poesias 
Às vezes com o coração em pedaços 
Eu sou muito mais o palhaço 
Que mesmo assim transmite alegria.

(MENDES, Moacir João Alves)

10 de março de 2013

Esplendor


Antes que se fechem as cortinas do horizonte, 
O dia prepara a sua despedida. 
É a grande apoteose dos momentos solenes. 
A natureza, como um brinde ao Criador, 
Desfila todo o seu esplendor e magia: 
As cores do céu se harmonizam 
Numa fantástica combinação de tons. 
Nas flores, um perfume aconchegante 
Como beijo de quem celebra o amor. 
As aves orquestram seu contentamento 
Pelo prazer do encontro 
Ou pleo encontro do alimento. 
A poesia aflora dos lábios do poeta 
Confundindo a realidade com o sonho. 
Sempre atento com sua objetiva. 
O turista tenta flagrar estes instantes fugazes 
Na tentativa de quem quer perpetuá-los. 
Quantas telas,... partituras,... esculturas,... 
Vão emanando deste cenário encantador 
Marcado pela transitoriedade!... 
Pouco a pouco, o sol esquece o seu brilho 
E ternamente adormece, 
Em lugar do fulgor, as trevas da noite. 
Uma mescla de tristeza e saudade 
Toma conta do espectador. 
Porém, na alma daquele que tem Fé, 
Nunca anoitece.

(MICHELON, Mario)

7 de março de 2013

Bicho carpinteiro


A rua 
Os pinheiros 
O passarinho, o sapateiro 
passo por lá todo dia, 
Mas não percebia a poesia.

Deve haver alguém 
Em algum lugar... 
Um Papai Noel de sombrinha aberta
                             ou um bicho cabeludo careca 
Talvez...
                             um moleque sapeca 
Alguém com essência de uma pedra ereta 
Sei... 
Um bebê preguiçoso de asas abertas.

(COSTAMILAN, Maria Paula de L.)

4 de março de 2013

Miséria

     Pés calejados
Um rosto sofrido 
Chão sem teto 
Barriga vazia
     Coração sozinho 
As viciado
     Corpo cansado 
Liberdade vigiada 
É assim que sinto 
a mãe que sob o olhar 
apavorado do filho 
tenta protegê-lo da fome 
do frio, da ignorância 
e da violência que ameaça 
a sua existência.

(GALVANI, Mara Aparecida Magero)

1 de março de 2013

Quatro paredes


O mundo é quatro paredes. 
Não se pode sair dele, 
a não ser pela imaginação flutuante, 
pela abstração, 
pelos volteios do pensamento, 
pela elaboração de novos signos, 
novas imagens, 
ícones renovadas...

A palavra é um destes elementos remissivos, 
procriativos, 
elucidativos...

A razão – deixar de lado?

Usar o belo, 
a sensação, 
a perspicácia, 
o sentimento.

As quatro paredes, 
quaisquer que sejam, 
massacram as pessoas.

(CORTE, Loreni da Fontana Dalla)

26 de fevereiro de 2013

Tempo


     É nada 
e nele, nada vida tanta.
     Para o tudo 
contudo, toda estrada 
para o eterno leva.
     Ondas, passos, 
onde andam luz e treva.
     Manhãs tardias 
tardes amenas 
tenro ocaso 
esperanças sombrias 
crepuscular mergulho no espaço, 
exalando alfazemas 
na doce metamorfose dos dias.
     Palco oculto 
sem protocolos, 
perene preâmbulo 
do notório desconhecido.
     Se distante 
saudoso, 
presente 
pouco vivido, 
parco, muito precioso 
mesmo calvo, atrofiado 
desfecho avalizado 
na própria face refletido.
     Mistura de medo e ansiedade 
eixo, alavanca, sustento 
estreito caminho, o tempo 
vasta realeza, a eternidade.

(DAMO, Luiz)

23 de fevereiro de 2013

Paranoia


Quando me atrevo a parar e me atrevo a pensar, 
Eu me pergunto, abro até o fundo e pergunto! 
Eu te quero tanto, tu não queres nada! 
Eu te dou tudo, tu não me dás a mínima! 
Eu queria ser teu Sol, tu estás sempre nas nuvens. 
Eu sou teu arco-íris, tu és daltônica. 
Eu sou todo tato, tu só usa luvas. 
Eu sou todo olfato, tu não sentes cheiro de nada. 
Eu te olho e te observo, tu não queres ver nada. 
Eu sou só sentidos, tu sentes muito. 
Eu te abro todas as janelas do meu sótão, 
Tu só queres as sombras dos teus porões. 
Eu te construo, tu me desmontas. 
Eu me conserto, tu me desconsertas. 
Eu me alucino, tua lucidez é puro medo. 
Eu te mergulho, tu tens medo d'água. 
Eu sou tão sincero, tu és pura ironia. 
Tens medo que minha chuva, te cause uma pneumonia. 
Eu desabrocho, tu me podas na raiz. 
Eu sou o fogo, tu adoras o inverno. 
Eu flutuo no ar, tu adoras gás carbônico. 
Eu te contemplo, tu não tens tempo. 
Eu te chamo, tu és muda. 
Eu grito, choro, esbravejo, tu só escutas buzinas. 
Eu ardo em paixão, tu não tens compaixão. 
Eu não durmo, tu sonhas com anjos. 
Eu queria ser teu futuro, tu vives no passado. 
Eu quero ser tua ponte, tu não queres atravessar nada. 
Eu tento, tu deténs. 
Eu me testo, tu me detestas. 
Eu queria te dar o mundo, tu nem queres ver como é funda, a fossa escura que te mantém moribunda... 
Eu quero que venhas para a luz, tu adoras o luto 
Eu queria te envolver em flores, tu preferes os espinhos. 
Eu me multiplico, tu me divides. 
Eu me somo, tu me subtrais. 
Eu te ofereço a minha calma, tu preferes a tua angústia. 
Eu te ofereço a minha pureza, tu adoras o cheiro do lixo .
Eu me desespero, tu não sabes o que é uma lágrima. 
Tu és fria, fria, fria, rígia e dura, 
Que quando estiveres mais só, em tua sepultura. 
Eu te direi baixinho: 
Tenta viver em paz agora, criatura!

(ROSS, Julio Fernando de)

20 de fevereiro de 2013

Sonho de amor


Vi-te em meus braços 
Carreguei-te por quilômetros em minha vida 
Tua respiração era como o vento que açoitava a minha face 
Teu murmúrio era como doces palavras falando de amor 
Tua vida era motivo para a minha 
Ao chegar ao meu destino, senti que não precisava dele 
Pois você era tudo o que eu queria 
Sentei a sombra de teus olhos 
Bebi a água de teu sorriso 
E passei o resto de minha vida contigo 
Mas em meio a noite acordei e vi que tudo era um sonho

Hoje procuro você...

(MONTOVANI, Fernando)

17 de fevereiro de 2013

Ser feliz


Às vezes 
Paro no meio do caminho 
Olho o infinito 
Procuro respostas 
Em minha mente 
Fervilham dúvidas 
Para onde ir? 
Por que existir? 
A única certeza que tenho 
Quero ser feliz!

(SILVA, Eva Maria Rosa da)

14 de fevereiro de 2013

Suas lágrimas


Eu não preciso sera noite, 
Simplesmente o escuro 
Não preciso ser o sol com todo seu calor, 
Me bastaria ser um raio; 
Não quero ser o mar com toda sua profundidade, 
Somente a fonte; 
Não preciso ser o concerto, 
Porém ser a canção; 
Eu não preciso ser a rosa, 
Só me basta ser o espinho; 
Com toda sua extensão, não quero ser o caminho, 
Somente o atalho; 
Não preciso ser a chuva, 
Só me basta ser a gota; 
Não preciso ser a vida, 
Porém ser o momento; 
Eu não quero ser rocha, 
Somente o grão; 
Não quero ser o dia, 
Me basta ser a alvorada; 
Não preciso ser universo, 
Só me basta ser uma estrela cintilar; 
Não preciso ser você, 
Porém ser suas lágrimas.

(DUTRA, Elisângela)

11 de fevereiro de 2013

Como te amo!!!


Não te amo como se fosses radiante magnólia, topázio 
Ou cerejeira premiada pela primavera: 
Te amo como se amam certas coisas obscuras, 
Secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva 
Dentro de si, oculta, a luz daquelas flores, 
E graças a teu amor vive escuro em meu corpo 
O apertado aroma que ascendeu da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde, 
Com o coração queimando por longos raios rubros... 
Que caminho te trouxe à minha alma? 
Aquele que comunica com a fragrância do mundo?

Não quero que vacilem teu riso nem teus passos, 
Senão assim deste modo em que não sou nem és, 
Tão perto que tua mão sobre meu peito é minha, 
Tão perto que se fecham teus olhos com o meu sonho.

(PERTILE, Anita Zanettini)

8 de fevereiro de 2013

“Enquanto a cidade cresce, a natureza padece”


A liberdade é um penico 
A verdade é uma favela 
A esperança é um motivo 
O poder é um posto 
A alegria é uma casa sem entrada 
A amizade é a pedra mais rara 
O país é nosso leito de morte 
A mentira é uma coroa de espinhos 
A tragédia é um resultado 
A morte é o que temos de concreto 
O cinismo é uma conta mal paga 
A violência é uma soma 
A ignorância é uma carência 
O amor é um remédio 
O espírito é um sonho 
A lembrança é um vento 
A natureza é uma força 
A razão é o melhor caminho 
O instinto é uma ameaça 
A poluição é uma doença 
O ciúme é uma serra elétrica 
A saudade é um privilégio 
Um filho é uma conquista 
A fome é divisão mal feita 
Um provérbio é a prisão de uma ideia 
A vingança é o estrume de um verme 
A guerra um ser primitivo 
A arte é o esboço da vida.

(BONOTTO, Alba Regina)

5 de fevereiro de 2013

Apólogo da flor


Já fui um meigo botão 
Uma rosa no jardim 
O que fizeram de mim 
Foi uma grande maldade 
Me ceifaram a liberdade 
Pra cobrir o simples vazio 
De um vaso sobre a mesa 
Feito de barro e aspereza 
Não arrefecendo teu frio 
Que no arrepio de tua'lma 
Me olhou nunca me viu. 
Vejam só o meu destino 
Antes de sufocado ser 
Num embrulho de jornal 
E o mercado percorrer 
Pra servir o desatino  
Do homem despojado 
Da alegria de menino 
Já não brinca no quintal 
Nem me vê desabrochar 
E pra solidão de um vaso 
Prefere me levar. 
Junto à terra eu livre era 
Com meus irmãos a perfumar 
Os prados a primavera 
À brisa sempre a bailar 
Mas tu homem nos persegue 
Nos matam e vil se serve 
Insensível nos aprisionam 
Num embrulho de jornal. 
A tua vida intrincada 
Com minha morte enfeitando 
E por um corpo sem vida até 
Igualmente me ceifando 
Num ritual lamuriante 
A beleza profanando.

(BORTOLATTO, Adnício)

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A partir deste texto, irei publicar mais textos furtados do livro 4ª Antologia Caxiense de Poetas – 2º Concurso Caxiense de Poesias. 
Este livro contém textos que foram publicados para as comemorações dos 10 anos de Misturas & Bocas Produções – 1981-1991. 
As publicações destes textos terão o marcador "4ª ACP".

2 de fevereiro de 2013

Castigo


Em minutos cai uma árvore: 
Para fazer teu berço, tua mesa 
Tua cama, teu caixão. 
Levou anos e anos prara crescer 
e ninguém; nem tu nem teu pai, 
nem o pai do teu pai: ninguém 
plantou ao menos umas 20 mudas 
para crescer no lugar da que morreu... 
Crime!

Rios envenenados, peixes mortos, 
Porque uma maldita mão 
Deu propina à outra maldita mão 
para deixar a fábrica funcionar 
Sem os filtros e destruir os rios e o ar... 
Roubo!

Mas a natureza não se defende, se vinga! 
e os filhos dos teus filhos, nascerão 
doentes: os pulmões estragados, fracos 
e por certo morrerão de fome. 
Porque você “matou o ar, matou os rios, 
Matou as matas” e morreu... 
Justiça!

(SOARES, Jofre)

30 de janeiro de 2013

Era uma vez...

Era uma vez a natureza
Era uma vez uma flor
Era uma vez um céu azul
Era uma vez toda beleza e alegria do mundo...
Os homens pediram isto e hoje todos lamentam.
Ao invés de acabarmos com o resto,
De tudo fizemos um pouco
Para vivermos felizes e de mãos dadas,
Homens e Natureza.

 (Cardoso, Viviane Rasia)

27 de janeiro de 2013

Não basta...


Não basta querer acordar de um sonho profundo,
            é preciso abrir os olhos para poder enxergar.
Não basta fechar a porta ao sair de casa,
            é preciso trancá-la para estar seguro.
Não basta ter um bom automóvel, de cor bonita,
            é preciso abastecê-lo de combustível para funcionar.
Não basta dizer que quer tal objeto,
            é preciso trabalhar, ter dinheiro e comprá-lo.
Não basta querer ter trabalho,
            é preciso procurar emprego para tê-lo.
Não basta dizer que será rico,
            é preciso ter coragem e garra para vencer obstáculos.
Não basta dizer que é generoso,
            é preciso ajudar os outros e mostrar sua generosidade.
Não basta querer ser alegre com as coisas,
            é preciso ser sorridente com a vida, para ser feliz.
Não basta viver e sonhar,
            é preciso conquistar ideais e concretizar estes sonhos.

(POZZEBON, Venceslau)

24 de janeiro de 2013

Quero ver o mar


Quero caminhar na areia, 
ouvir as ondas do mar, 
andando sempre pela beira, 
para poder apreciar.

            Não importa que esteja quente,
            eu quero ver o mar,
            pois um coração adolescente,
            quer apenas meditar.

Por um vão momento, 
sinto a solidão, 
confuso pensamento, 
de meu coração.

(ZAMBELLI, Tatiane Cristina)

21 de janeiro de 2013

Natureza e suas maravilhas


Se você gosta da vida, 
da natureza vai gostar. 
Tem flores de sobra, 
mas não vai dar para enjoar.

Mas se preferir os pássaros, 
não precisa se preocupar. 
A natureza tem muitos cantos, 
para você se encantar.

Pra quem gosta das árvores, 
a natureza é o ideal. 
Tem muitas folhas e frutos, 
para você saborear.

Mas se você sente medo, 
de um dia isto tudo acabar. 
Nós temos uma receita, 
para não lhe preocupar.

Aceite nosso palpite, 
e faça algo para melhorar. 
Para no dia de amanhã, 
não ter que se preocupar.

(MISTURINI, Sônia)

18 de janeiro de 2013

Consolo eterno


Não maldigo a hora que beijei teus lábios, 
Nem o instante do delírio atroz; 
Se o corpo em camas suplicou prazeres, 
Calei na alma, da loucura, a voz.

Na ânsia insane do desejo ardente 
Senti o mundo inteiro em tua boca 
E ao ver-te, assim, tão inocente e frágil, 
Te possuí, numa ansiedade louca.

Depois te perdi, eu já sabia 
Que para sempre eu te perderia 
No momento em que provasse o teu amor;

Mas preferi a certeza desse instante, 
Tão pouco, embora, o bastante 
Para levar eternamente o teu calor.

(CORRÊA, Sebastião Teixeira)

15 de janeiro de 2013

Partir


Partir é fugir 
Tentar livrar-se dos problemas 
Esquecer as angústias 
Procurar novos horizontes 
Novas esperanças 
Novas emoções 
Criar novos ideais 
Lutar novamente 
Por uma posição 
Definir novos rumos 
Felicidade desconhecida 
Partir é saber, 
Que difícil será chegar 
A algum lugar 
Melhor não exitar 
Do contrário, melhor voltar.

(CATHARINA, Roberto João Santa)

12 de janeiro de 2013

Criança, uma parte de nós


O dia amanheceu, 
a felicidade irradiava dentro de você; 
como o raiar do sol, 
aquece nossas vidas, 
ilumina nossos caminhos 
pelos quais alegrias permanecem. 
Uma vida nasce, 
o choro, a alegria, 
o sorriso, a emoção. 
Uma criança, 
os pássaros e as flores, 
uma manhã de verão. 
Um dia que veio, 
sentir as emoções 
do mundo aqui fora, 
trazer as alegrias 
para dentro de seu ser. 
Uma tamanha satisfação 
um olhar, uma luz a brilhar, 
carinho, ternura. 
Tudo isso porque 
dentro de seu coração 
existiu amor, 
e desse amor 
um eterno símbolo de união. 
Uma criança...

(NÉRIS, Risfran Amélia)

9 de janeiro de 2013

Lua


Ela se foi... 
De herança, uma mancha 
De batom 
E memórias de outros tempos... 
Foi bom, 
Às vezes... 
Foi mau, 
Às vezes... 
Às vezes, 
Apenas foi... 
A cada toque, 
Eletricidade 
Faiscando nas peles... 
Profundas impressões, 
Em mentes... 
Em dedos... 
O dourado em contraste... 
Eu albino, incólume... 
Seu corpo um lar, 
Eu menino, 
E a paz... Ah, a paz... 
“A gente era feliz e não sabia”. 
Como tantos... 
Tantas vezes...

(KAROLESKI, Oscar)

6 de janeiro de 2013

Sabe...


Dizem que todo poeta, 
Tem um pouco de loucura... 
Mas... quantos gostariam 
De se deixar transportar para o mundo dos loucos. 
Fugir dessa realidade vazia e materialista... 
Deixar a imaginação fluir com todos os sonhos escondidos... 
Quem não gostaria de fazer loucuras? 
De amar e ser amado? 
Carícias... beijos... afagos? 
Voltar a ser criança, andar descalço... 
Brincar de ciranda, dizer o que sente... 
Sorrir sem temor... gritar... 
Viver num mundo só de amor? 
E... se existe alguém 
Que já não sonha 
Apenas vive a vida como for... 
Com certeza está morto... 
Porque vida só é vida com amor! 
Sem ele que vida é essa? 
Não tem valor!

(MICHELIN, Noêmia)

3 de janeiro de 2013

O que é poesia?


É o encontro de duas pessoas num forte abraço 
Querendo conquistar o mesmo espaço 
É sentir juntos o bater dos corações 
É uma lágrima que se encontra presa 
E que por instante para a nossa surpresa 
Desliza na face, registrando nossas emoções 
É fazer sair do lábio um sorriso forçado 
É um grito na garganta sufocado 
Para a gente fingir que está tudo bem 
É o nascimento de uma saudade 
É um sonho, uma felicidade 
Que se acabaram também 
É um desencontro em nossa vida 
É o gosto amargo de uma despedida 
Que não podemos sequer impedir 
É não fugir dos problemas 
É fazer de cada momento um poema 
Para que o mundo não nos impeça de sorrir 
É o despertar de uma nova esperança 
É encontrar num gesto de criança 
A maneira mais pura de sobreviver 
É olhar nos olhos de uma madrugada 
E a esperança de um novo dia nascer 
É ouvir silencioso a voz da natureza 
E contemplar do mundo toda a beleza 
É compartilhar a vida com outras pessoas 
É amar e guardar o segredo 
É ter coragem, é sentir medo 
De ficar sozinho e de andar à toa!

(MENDES, Moacir João Alves)
 

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