31 de dezembro de 2012

Noites


Noites que chegam 
Mansamente 
Com um doce perfume 
Nas flores 
Noites que trazem 
Saudades 
Lembranças vivas 
De amores 
Noites de afeto, carinho 
Palavras que sussurrei 
Em seus ouvidos 
Noites de mágoas 
Contidas 
Que ficaram 
Em meu mundo esquecidas 
Noites que rolei para seus braços 
Ganhei beijos doces iguais ao mel 
Mas logo vieram as consequências 
Porque mais tarde 
Chorei lágrimas amargas 
Iguais ao fel 
Noites cheias de lembranças 
De um alguém 
Que amei e sofri 
Noites de que restaram somente 
As lembranças 
De um grande amor 
Que para sempre perdi.

(OLIVEIRA, Maria de Lourdes Pessoa de)

28 de dezembro de 2012

Cartas


O carteiro na calçada atapetada de folhas. 
Chuva fina na estrada, 
correspondência sem interferência. 
Acabada a entrega 
lá vai o carteiro, 
na calçada atapetada. 
E os jovens a divertir-se com a entrega 
espalham-se na chuva fina. 
E o carteiro? lá vai na calçada atapetada. 
Velhos sorridentes. 
Correspondência entregue. 
Lá vai o carteiro, 
mesmo com chuva fina prossegue a jornada, 
levando notícias pela estrada.

(COSTAMILAN, Maria P. L.)

25 de dezembro de 2012

Pôr do sol no asfalto


Hoje fiquei esperando o sol desmanchar, 
mas ele chocou-se contra uma parede de concreto. 
E, assim como sempre, o concreto absorve a natureza 
e mata aquele resto de eternidade 
que a gente carrega nos olhos verdes 
inexistente nos olhos brancos. 
Fiquei esperando o concreto desmanchar. 
E continuo...

Vivo morta, semi-de-mim.

(CASAL, Márcia Elisa)

22 de dezembro de 2012

Um instante de felicidade


Hoje me sinto mais segura, 
mais forte, 
aberta, talvez liberta. 
O medo não me aflige 
Hoje estou em busca de um novo ideal. 
Não quero vacilar. 
Hoje me sinto realizada. 
Sinto uma grande força interior, 
Uma força que me empurra pra frente, 
que fala alto, 
que me dirige a um caminho sem volta. 
Hoje eu quero a vida. 
Hoje quero vivenciar tudo de perto. 
Quero reviver. 
Quero sonhar. 
Quero acordar e sentir a felicidade, 
Sentir o vento em meu rosto, 
Sentir o sol na minha pele, 
Olhar pro céu e me perder entre o azul. 
Quero ver as estrelas e sentir brilhar minha alma, 
minha voz, minhas ideais, meu coração. 
Quero olhar pra lua e sentir o sangue correr nas veias, 
Sentir o cheiro do campo, 
Ouvir o canto de um pássaro. 
Quero ouvir o barulho da água correndo 
num rio, 
numa cachoeira, 
no mar, 
não importa onde seja, mas quero sentir a água. 
Quero acordar com o dia, 
Dormir com a noite. 
Quero estar de bem com a vida. 
Quero a paz. 
Hoje quero sentir a felicidade, 
Mesmo que seja só por um instante. 
Hoje quero presenciar tudo, 
observar tudo, 
pensar sobre tudo 
e sobretudo sentir a felicidade sair de dentro de mim, 
nem que seja só por um instante.

(GALVANI, Mara Aparecida Magero)

19 de dezembro de 2012

Homenagem


Ele veio de um mar distante 
No seu coração trazia fé 
Na esperança a força renascia 
Na humildade, sabe o que ele quer

Nas suas mãos uma semente 
Que o tempo nos mostrou 
Que é com garra, sangue e vida 
Que se colhe o que plantou

No amanhecer de cada dia 
Renova a fonte do prazer 
De desvendar com ousadia 
As virgens matas pra viver

Sonho que fez com amor 
Terra de vencedor 
No campo e roça o suor 
No vinho o sabor melhor

Viva! a você, que soube ser o herói 
Que um dia tudo isso desbravou 
Vivo da certeza, que foram os teus frutos 
Que na mesa muita gente alimentou

Viva! também suas canções 
Que deixaram suas marcas para as novas gerações 
Vivo! com saudades daqueles teus cabelos brancos 
Que o vento já levou.

(WILBERT, Luiz Paulo)

16 de dezembro de 2012

Sentido


Apagam-se as luzes 
vaga solta a melodia 
a procura da voz...

silêncio... 
corpo inerte 
gestos sentimentos procuras 
facho de luz 
palco de vida...

paredes brancas e breu 
voo insólito ao infinito 
inacabado e recomeço 
para todo e sempre

Espirais futuros da imaginação 
escondem o tempo 
duendes de infância 
fantasias ginasiais 
e juventude descolorida

Degraus de sonhos 
e o estampido seco na madrugada...

Mas há o violoncelo solitário 
o movimento invisível 
a multidão o dia seguinte 
os fragmentos multicoloridos 
e o mistério indivisível...

(ALMEIDA, Julio Cesar de)

13 de dezembro de 2012

Ideário


As ruas... 
subitamente ficam desertas 
cessam alaridos 
vozes passos 
sons e movimentos 
nódoas de espaços 
asfixiam-se no vento

olhares furtivos 
detrás de restos de cortinas 
expiando culpas medos 
e outros sentimentos 
sumidos em névoa esparsa
                         e vácuo...

O cavaleiro escarlate 
emerge de todos os tempos 
história implacável 
reparando injustiças 
lança enfeitada 
elmo de bronze 
olhar frio vazio 
e algum resquício de humanidade

tempo e inércia 
fundem-se nos absurdos 
homens e mesquinharias iguais 
lado a lado com a mentira do viver 
manequins de gesso 
encantos e quebrantos 
misturados à névoa seca

almas seculares de pedra 
arrastam-se no nirvana 
à procura da morte 
dor alegria agonia 
fim e começo desintegrados...

tem reinício a história 
poeira cósmica 
lapsos tempo 
gama imaginária 
ideias sons 
cores imperfeições 
encantos ilusões sentimentos

o verbo a palavra 
e o ser sem solução!...

(ALMEIDA, Julio Cesar de)

10 de dezembro de 2012

Ascensão


Purpurinas, luminescências, fótons, clarividências. 
Sortilégios, premonições, bolas de cristal. 
Luzes de Natal, Pirâmide Oriental, Dogma transcendental. 
Magia de tons que se entrelaçam. 
Fluxos, auras, efervescências, 
formas que se fundem, se encaixam, 
Formas que penetram umas nas outras. 
Ondas de som, de luz, de cor, de pensamento, 
Sombras, furta-cores, infravermelho, ultravioleta, 
Arco-íris, ondas curtas, micro-ondas, 
Ondas médias, alta frequência, impregnação de retinas. 
Permanganato de potássio, nitrato de prata, 
Tons prateados, roxos, cor de lata, 
Não há nada neste mundo que mais dilacere, fira, mate, 
do que a pureza perdida, 
A dor vencendo a alegria, 
O amor transformando em sucata.

Tenta salvar o que resta, 
joga fora o que não presta, 
olha por esta festa, 
O mundo lá fora é uma festa!

(ROSS, Júlio Fernando de)

7 de dezembro de 2012

Amargo


Bote água pra esquentar 
Prum amargo nós tomar 
Enquanto a água vai esquentando 
O amargo vou cevando.

Erva nova bem verdinha 
Cuia e bomba já prontinha 
Água morna sem ferver 
Vamos trovando até anoitecer.

Este amargo mui gostoso 
É símbolo mui charmoso 
Do no Rio Grande amigo 
Que levo sempre comigo.

Quero a todos mostrar 
Que não precisamos cantar, 
Basta um amargo tomar 
Que nossa saudade retornará.

O amargo vai passando 
No passado vamos falando 
Saudades vêm chegando 
Em nossos corações se abancando.

(SILVA, João Batista da Silva)

4 de dezembro de 2012

Mulher


Na solidez de teus passos, 
segues a trilha dos tempos, 
semeias virtudes, responsabilidades 
e amas acima de tudo. 
A essência de teus princípios 
não se extinguirá jamais, 
mesmo que o sono da noite 
transforme em cinzas os teus ideais. 
A cada dia que passa, as conquistas se acentuam, 
num voto de confiança 
os temores recuam.

(ZAMBELLI, Irma Bufon)

1 de dezembro de 2012

Big anúncio


(Para Eva e Marcondes Tavares)

Agora virei mágica 
(sou o mago no tarô) 
meu carinho desfaz 
dores, cansaço, problemas... 
meu carinho está à venda. 
Preço: dez mil dólares 
(pois cruzeiro não vale a pena) 
Endereço: Caixa Postal $$$
                 cep $$$$$ - Caxias/RS.

(VEBBER, Ivone)
 

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