29 de outubro de 2012

S.O.S. criança


Enquanto os grandes 
Falam da paz 
Com a mesma força 
Que falam da guerra 
Eu fico olhando 
Meus brinquedos enferrujados 
Andando de bicicleta 
Para todos os lados 
Machucando meus joelhos 
E o tempo passa... passa... 
As matas vão desaparecendo 
Os peixes morrendo nos rios 
Os animais morrendo contaminados 
Nas ruas muitas crianças 
Morrem de fome 
No céu eu enxergo poucas estrelas... 
Será que estes homens irão 
Deixar alguma coisa para nós?...

(TAVARES, Denison Linus da Motta)

26 de outubro de 2012

Abismo


Grinaldas de estrelas buscaram-me 
Para em outras esferas a paz consentir 
Recordei imagens da minha infância 
Tempos remotos em que aprendi existir.

Envolvido na densa poeira do tempo 
Descobri os secretos caminhos do porvir 
Toquei da missão o turbante das trevas 
E do fundo do abismo me fiz emergir.

Num lampadário reuni minhas forças 
No peito a cachoeira da fé surgir 
Luminosa a aurora cantou seu poder 
Abriu-se o rosto no infinito a sorrir.

Vergônteas de sonho e abismo gigantes 
Da tenebrosa morte as garras sentir 
Imantado o grandioso lume da vida 
Outra esfera de paz e música a ouvir.

Além dos limites soterrantes do mundo 
O maestro da vida vem dirigir 
Tocando no abismo a alada música 
Fervendo a essência que vem fluir.

(TERRA, Cláudio Sérgio)

23 de outubro de 2012

Maldito...


No meu ventre te alastras, 
do meu corpo desfrutas, 
palpitas sedento, 
desculpas injúrias, 
quando do meu seio bebes, 
gulosa crianças mal parida, 
é de sangue e ódio, 
o corpo que se esfrega ao meu, 
como besta rasga sem piedade 
as carnes que dilaceram, 
o grito dolorido que brota, 
a pele molhada e mal ardida, 
bicho insano, de fúria, 
de gula, de gana, 
sorves do meu colo, 
depois dá-me as sobras, 
e que delas me contente, 
pois o carma de seduzi-lo, 
leva-me a loucura estranha, 
tê-lo como amante, 
fazer de ti bicho...

(MARCON, Beatrís D'Andrea)

20 de outubro de 2012

Coração em fogo


Noite fechada, hostil... lá fora, um vento frio 
Parecia chorar numa expressão de morte 
Como se fosse um ser preso de triste sorte, 
Sem lar, sem pouso certo, a vagar, erradio... 

Bateram... -Entre, eu disse, e um vulto esguio, 
De um branco de marfim e doloroso porte, 
Entrou. Nessa mulher via-se o traço forte 
De uma renúncia!... E me quedei, sombrio,

A fitá-la; e senti, através do seu rosto, 
A pureza da lama, as chagas de um desgosto... 
Aqueceu-se à lareira, em silêncio, a meu rogo,

E as brancas, frias mãos, as aqueci nas minhas... 
Veio o dia e partiu!... - Sol, calor, andorinhas... 
E eu, frias tinhas as mãos e o Coração em Fogo...

(PERTILE, Anita Zanettini)

17 de outubro de 2012

Ecos


Ouço gritos longínquos e temo 
Temo que possam existir em mim 
O medo desaponta 
Lembra-nos a fragilidade interna 
Esteriliza a alma 
Sublime condensação 
São ecos da solidão

O tempo não limita a saudade 
A serenidade se faz loucura 
A loucura vaga em distantes lembranças 
O duelo exige perseverança, ponderação 
Os sensatos preferem a morte... interação

Neste silêncio extenso 
O vazio das palavras 
Nas frases exorcizadas 
A meia verdade dissimulada

Desfalece no olhar casto 
A última gota de saudade 
Existe o silêncio 
As imagens descontínuas 
O despertar dos questionamentos 
Lamentos

Encontrei olhos que tinham o poder da comunicação 
Hoje são ecos... 
ECOS DE SOLIDÃO.

(CARBONERA, Ana Luiza)

14 de outubro de 2012

Perdoei

Perdoe por eu pregar a paz e a justiça. 
Perdoe por eu não compreender o porquê de sua incompreensão para consigo. 
Perdoe por eu ajudar aos meus amigos sem fazer diferença de raça, cor ou situação social. 
Perdoe por eu amar e ser amada pelos que me cercam. 
Perdoe, porque gosto da natureza e de tudo faço para preservá-la pouco importando-me com os prós ou contras. 
Perdoe por eu querer modificar o mundo com conselhos e palavras amigas. 
Eu te perdoo por eu ser eu e não ser você.

(MOLARDI, Andreia)
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A partir deste texto, irei publicar mais textos furtados do livro 3ª Antologia Caxiense de Poetas – 1º Concurso Caxiense de Poesias
Este livro contém textos que foram publicados para as comemorações dos 100 anos da cidade de Caxias do Sul – 1890-1990. 
As publicações destes textos terão o marcador "3ª ACP".

11 de outubro de 2012

Sem título 5


Não te irritas, por mais que te fizerem. 
Estuda, a frio, o coração alheio.. 
Farás assim, do mal que eles te querem, 
teu mais amável e sutil recreio...

(QUINTANA, Mario)

8 de outubro de 2012

Sem título 4


Pode-se dispersar sementes, se não existir amor, nada brotará. 
Sou apenas uma pessoa que rabisca sentimentos no papel. 
Traduzindo sonhos e esperanças, escrevendo teu nome no meio da folha. 
Idealizando teu ser, mas amando tua presença.

(DUTRA, Elisangela Scopel)

5 de outubro de 2012

Falas furtadas de "Hamlet", de William Shakespeare

A infâmia sempre reaparece ao olhar humano, 
Mesmo que a afoguem no fundo do oceano.

(Fala de Hamlet no fim da Cena II do Ato I)



(...) Pois a natureza não nos faz crescer 
Laurence Olivier interpretando Hamlet
em famosa adaptação da peça
para o cinema, em 1948
Apenas em forças e tamanho, 
À medida que este templo se amplia, 
Se amplia dentro dele o espaço reservado 
Pra alma e pra inteligência. (...)

(Fala de Laertes à Ofélia na Cena III do Ato I)



(...) E coloca tua afeição 
Fora do alcance e do perigo do desejo. 
A donzela mais casta não é bastante casta 
Se desnuda sua beleza à luz da lua. 
A mais pura virtude não escapa ao cerco da calúnia. 
A praga ataca os brotos da primavera 
Antes mesmo que os botões floresçam; 
E na manhã orvalhada da existência 
Os contágios fatais são mais constantes. 
Tem cuidado, então; o medo é a melhor defesa. 
Uma jovem se seduz com sua própria beleza.

(Fala de Laertes à Ofélia na Cena III do Ato I)



(...) Ele, repudiado - vou encurtar a história - 
Caiu em melancolia, depois em inapetência; 
Logo na insônia; daí em fraqueza; afinal, em delírio. 
E, por esse plano inclinado, na loucura em que se agita agora; 
E que todos deploramos.

(Polônio sobre Hamlet na Cena II do Ato II)



Ser ou não ser - eis a questão. 
Será mais nobre sofrer na alma 
Pedradas e flechadas do destino fero 
Ou pegar em armas contra o mar de angústias - 
E, combatendo-o, dar-lhe fim? (...)

(Fala de Hamlet na Cena I do Ato III)



O poder da beleza transforma a honestidade em meretriz mais depressa do que a força da honestidade faz a beleza se assemelhar a ela. Antigamente isso era um paradoxo, mas no tempo atual se faz verdade. (...)

(Fala de Hamlet à Ofélia na Cena I do Ato III)



Já o sol trinta voltas perfeitas tinha dado 
Sobre o verde da terra e o mar salgado 
Trinta dúzias de luas usando luz alheia 
Tinham doze vezes trinta sido lua cheia 
Desde que o amor uniu você e eu 
Pelos laços sagrados do Himeneu.

(Fala de um ator interpretando um Rei na Cena II do Ato III)

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"Hamlet" é uma tragédia de William Shakespeare, escrita entre 1599 e 1601.
A peça, situada na Dinamarca, reconta a história de como o Príncipe Hamlet tenta vingar a morte de seu pai Hamlet, o rei, executando seu tio Cláudio, que o envenenou e em seguida tomou o trono casando-se com a mãe de Hamlet.
Fonte: Wikipédia

2 de outubro de 2012

Canção dos umpa-lumpas para Miguel Tevel


Esse é Miguel Tevel.

Era e não era, que história maluca,
Será uma aventura ou uma arapuca?
Dos cinco do início da história
Só um vai obter a vitória.
Três já tomaram chá de sumiço.
Falta só um pra acabar o serviço.
Pois tem um sujeito que é um grande palhaço
E sempre se acha o bom do pedaço.
O tonto se chama Miguel Tevel,
Tem rima no nome e é um grande pastel.
Não lê, mal conversa, não pinta, não borda,
Não brinca de pique e nem pula corda.
O tonto só tem uma grande paixão,
Só pensa e só fala em televisão.
Deixa a TV o dia todo ligada
Esse é o Miguel após ser transmitido pela TV.
E nem vê o que presta, só vê patacoada.
Papo com ele não dá pra levar,
Por falta de assunto já vou terminar.
O cara é um chato, não tem outro jeito,
Vai ter que ir pro ar, e eu acho bem-feito.

(DAHL, Roald. 1964; traduzido por Dulce H. Vainer; ilustrações de Cláudia Scatamacchia)

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Essa canção foi cantada pelos umpa-lumpas logo após Miguel Tevel correr em direção à câmera que faz com que qualquer coisa seja transmitida pela televisão, na Sala de Chocolate-Televisão. Ele se transmite pela TV e fica bem pequenininho. Essa história é do livro A Fantástica Fábrica de Chocolate.
 

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