31 de julho de 2012

Sem título 3

Beleza, cara? Estou escrevendo para te contar como eu estou me sentindo. Eu vi que você ficou preocupado, eu a amava tanto e o relacionamento acabou de uma forma tão desagradável.
Neste último mês senti emoções intensas, um amor tão grande que me fazia sorrir todo o momento. A pessoa que disse – “Melhor ter amado e perdido, do que nunca ter amado” – é um gênio, digno de um Nobel, amar é algo incrível e, mesmo com toda a decepção, valeu a pena.
Esse namoro me tornou mais esperto para a vida, antes de terminar, descobri que ela estava e traindo, e você sabe com quem, não é meu "amigo"?
Desculpe ter colado vocês dois pelos cabelos, mas estavam tão bonitos juntos nesta cama que eu pensei comigo mesmo, "por que não deixá-los juntos um ao lado do outro para sempre?" Se você está lendo essa carta é porque já se soltou, espero eu que tenha sido cortando os cabelos dos quais ela tanto se orgulhava. Sei que irá se vingar e com isso descobrirá, assim como eu, que nem o amor dela tem um sabor tão doce quanto o de uma vingança.

(BUDANT, Marcello; 16 anos)

28 de julho de 2012

O deslize da caverna

Quando eu estava na quinta série fui para as cavernas do Parque Estadual de Campinas com meus colegas.
Duas das quatro cavernas estavam interditadas e em uma delas só se podia entrar de dez em dez pessoas. Como, infelizmente, nós estávamos em grupo de quinze, não pudemos explorá-la.
A única caverna que entramos era bem grande e úmida, seu nome era Caverna dos Jesuítas. Apesar de todas as transformações que ocorreram naquele lugar, o rio que escavou a caverna ainda estava lá, era estreito e raso, mas ainda estava lá.
Pelo nosso caminho apareceram muitas subidas, descidas, esculturas que a própria natureza fez com flores e pedras, também vimos algumas espécies de animais diferentes, como o morcego.
Numa das descidas tinha, ao lado, um buraco profundo e escuro. Apesar de muitas recomendações, um colega meu escorregou na direção do buraco e puxou o da frente que foi puxando, sucessivamente, até todos caírem.
Para piorar nossa situação, algumas lanternas pifaram e outras desmontaram, restando apenas uma com a luz bem fraca.
Após estes acontecimentos, o guia, que também tinha caído no buraco, recomendou:
- Fiquem de mãos dadas, formando uma corrente, para que ninguém se perca!
Nós percorremos um caminho enorme sempre desviando de pedras. Frequentemente, um escorregava e todos caíam, assim andamos por uma hora e não chegamos a lugar nenhum. Parecia que a cada passo que dávamos, em vez de sair, entrávamos cada vez mais na caverna, com a iluminação cada vez pior. Num determinado momento, ouvimos um farfalhar irritante: era um bando de morcegos. Giovana, uma colega que adorava morcegos, deu uma dica:
- Já é noite, por isso os morcegos estão indo se alimentar!
- E para se alimentarem eles precisam sair da caverna. - disse, animado, Carlos, um outro colega que já tinha entendido o que Giovana quis dizer.
Após o comentário de Carlos, todos concluímos que deveríamos ir atrás deles. A cada passo que dávamos, a caverna ficava mais clara.
Ficamos alguns minutos correndo e achamos a saída, mas para o nosso azar ela era pelo teto e teríamos de fazer uma boa escalada para sair.
André, nosso colega que sabia escalar muito bem, conseguiu subir e foi buscar ajuda, mas, infelizmente, se perdeu e só conseguiu achar o caminho quando amanheceu.
Ao chegar onde estavam as nossas coisas, ele chamou os responsáveis pelo parque que foram ao nosso encontro. Assim, conseguimos sair em segurança e sem ninguém ter se machucado.
Esta foi uma aula de campo muito legal, nunca esquecerei, pois, além do aprendizado, foi uma aventura e tanto!

(LOEWENSTEIN, Helena da Rocha; 11 anos)

25 de julho de 2012

Que crise!

Eu? Quem sou eu? É uma boa pergunta... Que crise é essa? Não tenho identidade?
As pessoas passam por mim... Tantas reações diferentes!
“Laura, sua blusa é di-vi-na! E a sua maquiagem ficou perfeita!” E também: “não sei por que fico chorando por essas pessoas que me querem mal...” Todos dizem esse tipo de coisa para mim. Elas devem pensar que eu sei dar conselhos. Até gostaria de ajudá-las... Mas eu não sei fazer muita coisa... Sou quase inútil...
“Realmente preciso emagrecer”. É uma frase bem comum de se ouvir por aqui... Cada uma se preocupando com a sua aparência. Como se me interessasse muito. Na verdade, isso me irrita um pouco...
Quase vinte e quatro horas por dia (nossa, que exagero o meu!), fico ouvindo reclamações, afirmações, questionamentos, etc. Isso é uma coisa que entedia.
Que eu faço? Quem sou eu? Posso fazer alguma coisa para ajudar as pessoas?
Puxa! Como é chato ficar ouvindo essas três reclamando. Parece até novela! Queria poder sair um pouco daqui. Conhecer esse lugar imenso que é o mundo. Ai, ai... Como é chata essa vida de espelho.

(CAMPOS, Evelyn Groenwold; 13 anos)

22 de julho de 2012

A pedra branquinha

Num quintal muito florido
Avista-se João
Este sai perdido
Por todo aquele chão
Perto das rosas
Acha uma pedra
Que bela e formosa
Brilha como uma pérola
Analisa João
Sem nela querer pegar
E com a mão
Chama seu cachorro Fofão
Esse pensa que João quer brincar
Mas que belo bolo!
Era só para Fofão olhar
De repente chega sua mãe
Que, pegando a pedra branquinha, enfim
Diz a João para não brincar com coisa valiosa assim
“É a pérola de sua tia”
“Mas mãe, quanto valiosa a pedra pode ser
Se por alegria
Uma bola mais me faz correr?”
Pérola em poder de criança
Que não lhe sabe o valor
É como uma bola
Nos pés de um escritor

(STRANO, Talita Rechetelo; 16 anos)

19 de julho de 2012

O feriado




Eu brinquei com a Letícia na minha casa.
Eu gostei que a Letícia foi na minha casa.

(HOSANG, Isis Comegno; 6 anos)

16 de julho de 2012

A grande paixão

Todo mundo te procura, cadê você?
Todo mundo pede ajuda, mas ninguém te vê
Como eu quero te encontrar,
Mas não sei onde te achar

Primeira vez que te vi
Não parei de te seguir,
Me veio logo a sensação,
Algo estranho no meu coração
O que se chama
Uma grande paixão.
Mas acho melhor
Eu desistir de te procurar,
Pois sei que nunca vou lhe encontrar...

(FISCHER, Isadora Grossl; BATISTI, Thábata Izzi Beliê; 12 anos ambas)

13 de julho de 2012

Sete gotas


Gota...
Gota...
Gota...
Gota...
Gota...
Gota...
A torneira fechou.

(MORAES, Raphael David Farias; 17 anos)

10 de julho de 2012

As aventuras da bola de rimas

Lá estava a bolinha rolando na cozinha.
Como tinha sol, papai foi jogar futebol.
Papai fez gol na rede e ficou com sede.
De repente a bola viu um sapo e caiu no buraco.
Pobre da bola bacana, ficou toda cheia de lama.
Ela seguiu em frente e encontrou um lago à sua frente.

(KULTCHEK, Bárbara Salomé; 7 anos)

7 de julho de 2012

Manhã gloriosa



Ela abre suas pétalas pela manhã
E, à tardinha, murcha e cai.
Assim como sua vida é efêmera,
Tem, na graça de viver,
A coragem para renovar-se a cada dia.

(ZIBELL, Tilly Greboge; 17 anos)

4 de julho de 2012

O gato

Tinha um menino
Chamado Frederico 
Ele ganhou um gatinho 
Batizou-o Mecherico

Um dia lá na escola 
Na sala se escutou 
Um latido da mochila 
Da mochila, lá soou

Então descobriram 
Um gatinho que latia 
Chamou muita atenção 
Foi parar na televisão

Num programa de TV 
Resolveu aparecer 
E na hora do latido 
Todo mundo ficou surpreendido 
Pois da boca do gatinho 
Não saiu nenhum gemido.

(CORREIA, Thalisiê; 12 anos)

1 de julho de 2012

Texto indicado: Amor intenso sobrevive ao tempo

Éramos pequeninos e um amor já ali existia.
Vivenciamos coisas que só os anos que nos acompanharam sabem, tudo está guardado no baú de um tempo chamado verdade, o sol e as estrelas foram testemunhas de tal sentimento.
Uma vez segurei em sua mão e não mais soltei, outra vez beijou-me os lábios e tudo ficou cravado, não na face, mas no coração. Um amor que não tinha cores destacadas, tudo era sintonia, espetáculo que acontecia a cada vez que nossos olhares, mãos e lábios se encontravam.
Onde quer que fôssemos, tudo que respirávamos era amor, cheiro de coisa sagrada, jeito de sonhos que no ato de se sonhar já ali realizavam-se.
Da infância nos despedimos, mas dela saímos juntos.
Passamos a sentir o amor, não aquele da inocência plena e sim mesclado pelos desejos e paixões da juventude misturados com alguns devaneios e sintomas de ciúmes em uma dosagem certa que servia apenas para alimentar a chama do amor que sentíamos. Palavras, toques, sentimentos, alegrias, lágrimas: tudo existiu, mas não conseguiu vencer a força que tinha esse amor.
Chegamos a fase mais linda, envelhecemos juntos, e hoje olhamos para trás e vemos os passos e caminhos trilhados até chegarmos aonde estamos, e estamos exatamente nesse lugar: no mundo da compreensão e de limitações que a idade nos trouxe, mas foi só assim que podemos olhar ainda nos mesmos olhos os quais olhávamos na infância e na juventude e dizer com a certeza e verdade: ''EU SIMPLESMENTE TE AMO''.
Eu te disse que ia ser eterno!

(NOBREGA, Sandra; Facebook)
________________________________________________________________________________
Esse texto foi indicado por uma leitora do blog Furtando Textos.
Irei publicar os textos indicados pelos leitores todo domingo (se tiver algum texto).
Indique um texto também!

Essa foi legal!

Era final do primeiro semestre, ficamos sabendo pela professora que iríamos visitar umas cavernas. Ficamos todos alegres, porque iríamos fazer esse tipo de aula de campo pela primeira vez, e com muitos morcegos! Isso foi arrepiante. Quando cheguei em casa, fui imediatamente preparar as minhas coisas. Arrumei tudo bem devagar para ver se não estava faltando nada. Estava tudo certo: uma muda de roupa de reserva, mais um par de pilhas de reserva, lanterna, uma toalha pequena e outras coisas que não eram tão necessárias. Fiquei assustada porque já era muito tarde, então fui dormir. Dormi pensando nas cavernas... Quando o ônibus parou no parque, avistei a caverna e não era como eu pensava. Dentro dela era muito escuro, os morcegos não eram pretos, eram brancos. Era tudo muito esquisito. Depois da visita também foi muito legal. Meninos brincaram de uma coisa e as meninas de outra, teve gente que até pulou dentro de uma lagoa e se molhou todo. Então, fomos brincar de esconde-esconde. Fui me esconder dentro da mata que tinha uma trilha. Escutei a professora chamar para irmos embora. Tentava sair da mata, mas ia me aprofundando cada vez mais nela. Começou a ficar escuro, eu, ainda perdida, comecei a gritar:
- Mãe, mãe, mãe, socorro...
De repente, ouvi alguma voz falando pra mim:
- Filha, acorda ou vai se atrasar para a visita às cavernas.

(RATUSZNEI, Vanessa Milani; 11 anos)
 

Furtando Textos ₢ 2012-2013 Template por Template Para Blogspot customizado por Gui Spigolan