28 de junho de 2012

Casa mal assombrada

Numa cidade velha e afastada,
ninguém queria pisar.
Pois uma casa mal assombrada,
havia naquele lugar.

Fantasmas, assombrações,
tudo o que ninguém viu.
Mas quando um menino chegou lá,
muito pressentiu.

Sua curiosidade era tanta,
que na casa decidiu entrar.
Só que quando chegou à porta,
seus cabelos começaram a arrepiar.

Na porta o menino bateu,
e um fantasma atendeu.
Nos olhos dele o garoto olhou,
e logo um grito soltou.
Viu que tudo era um pesadelo,
e num susto ele acordou.

Tudo aquilo tinha sido uma fantasia,
fantasmas não existem.
São apenas fruto da imaginação,
que cada vez mais persistem.

(MAGNANTI, Giovanna; 12 anos)

25 de junho de 2012

Testamento

E feliz deixou-nos suas últimas palavras:
“Mãe, vou brincar lá fora”.

(SATO, Cleverson Zocche; 17 anos)

24 de junho de 2012

Texto indicado: Rima pobre em linha reta

Quem muito sente, quase sempre é reticente. E geralmente, dá a entender que é indiferente. Mas quem se sente desprezado internamente, deve tratar de externar logo o quanto sente. Pra finalmente, tal qual um sol reluzente, olhar pra frente: nunca atrás!
Não se lamente. Diga ao espelho que quer ser bem diferente. E vá à luta. Corra atrás. Não se apoquente... Tome as rédeas desse momento presente, e não coloque culpas suas noutra gente. Faça poesia, ria, dance, cante, invente. Não espere que o pra sempre venha de repente. Não queira a lua mascarada em sol poente. Vê que as respostas moram bem na tua frente. E nunca titubeie em ser um tanto quente. Temperatura alta é boa a corpo e mente.

(ZANNI, Luísa; Lua e brisa)
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22 de junho de 2012

Tudo porque acreditei

Fui ludibriado, enganado
Com falsas esperanças, iríamos brilhar
Farsa da imprensa, interesseira
Em busca de Ibope, trapaceiro.

Me sinto oprimido, traído
Pelos que disseram que bateríamos recordes
Tolos aqueles que como eu acreditaram
Defendi o que acreditava, passei aos risos vergonha.

Se saber fosse realmente saber, teríamos vencido
Mas jamais sem ajuda
A ajuda foi cega e muda
Assim tudo acaba
E o sonho naufraga
Mas eu acreditei, admito errei.

Molhado pelas lágrimas da nação
Perambulei como cão sarnento
Diante dos outros me envergonhei
Tudo porque acreditei.

(GOMES, Adriano Camargo; 14 anos)

19 de junho de 2012

Sem título 2

O que é isso? É pequeno, meio cinza. Tem várias teclinhas, cada uma com um número e três letras, tem teclas com desenhos diferentes, nunca tinha visto... Jesus! Apertei e ele ficou todo iluminado. Tem várias coisas escritas numa tela. Eu coloquei o dedo em cima de uma parte que está escrito MENU e nada aconteceu. Olha só! Tem a hora aqui, <<07:30... Está assim, não entendi o que são os risquinhos do lado. Tem a data também, 02.09.2004... Pelo menos isso está normal. Apagou. Vou apertar de novo para ver se acende. Acendeu! Tem uma foto no fundo. Como colocaram uma foto aqui? Devem ter colocado por trás. Mas atrás não tem nada. Estranho. Apagou de novo. Apertei de novo. Caramba! Quanto nome, um em cima do outro, tudo espremidinho: Amanda, Ana, Andresa, Arthur Cel. Cel? Será que é sobrenome? Não conheço nenhum Cel na cidade. Minha Santa Teresinha! Isso tá mexendo, e sai uma música de dentro! Tem até um sininho chacoalhando na tela. Isso é coisa de outro mundo.
- Vô, meu celular! Você não mexeu nele, né? Que bom que não estragou...

(BUSCHMANN, Marina Pujol; 15 anos)

17 de junho de 2012

Texto indicado: Talvez

Talvez só as palavras me saciem, talvez um “beijo” falado seja sentido, talvez o amor não exista, talvez eu seja a única, talvez eu só seja mais uma, talvez eu ame menos, talvez eu queira mais, talvez eu não seja o necessário, talvez você seja o que eu preciso, talvez você me ame mais do que diz, talvez nem me ame como diz, talvez eu tenha “medo” de te ter, talvez fosse uma única felicidade pra mim, talvez o amor tenha sumido, talvez ele ainda esteja aqui, talvez, talvez, talvez… Talvez esses tantos de talvez nem diga o começo do medo, da insegurança que sinto, mas será que é necessário isso tudo? Será, será? E se isso só for o começo? Como será o final? Mas será que existirá final ou será eterno? Mas por que tantas perguntas… O começo ainda está por vim… Será e como será? Será que o medo passará, e a insegurança como ficará, será que vou crescer, será que minha mente mudará ou como ficará? Será que vai me amar… Será…

(LIMA, Jaqueline; Facebook)

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16 de junho de 2012

Minhas fantasias

Transformo realidade em fantasia
Para espantar
A minha solidão

Meu mundo torna-se imaginário
Cheio de cores e formatos
Que vão além da exatidão

Meu mundo se transforma
Em sonhos
Que vão além de qualquer explicação.

(CLAUDINO, Mariana; 14 anos)

13 de junho de 2012

Teus olhos

Não há janela mais profunda
Não há visão mais bela
Que essa imensidão que me afunda.
Aí me pego de sentinela
Como quem busca e espera,
Aquele movimento mais suspeito
Escondido no escuro que se apaga
Atrás dos verdes profundos
Que a máxima luz propaga
Eles choram e sorriem em silêncio
Como quem procura esconder
Mas de tanto observar
Ainda neles um dia poderei ver.

(COSTA, Chantal Helouise; 17 anos)

10 de junho de 2012

Texto indicado: Sem título

Uns gostam de desperdiçar, outros são fissurados em economizar. Uns tem mania de andar nas linhas e outros, tem a mania de evitá-las. Há quem goste de correr, e os que prefiram ficar parados. Existem a ausência e a presença, mas há quem não acredite e não seja nenhum dos dois. Existe o branco e o preto, mas conheci pessoas que os ignoravam por achar tristes e vazios. Também conheci pessoas tristes e vazias, estas, gostavam do arco-íris. Mas conheci pessoas felizes, inclusive, conheci a mim mesma. Já vi o claro e o escuro de perto, mas nada como o meio, há quem fale que é a margem de segurança. Eu ouvi risos falsos, frases verdadeiras, perdi conquistas importantes, mas ganhei lembranças de brinde. Uns preferem chutar o amor, e depois se arrependem e correm atrás. Good point, conheci muitas pessoas arrependidas, uma delas posso chamar de consciência, mas também posso denominar como vazia, pois quem se arrepende de um fato, se arrepende da vida inteira. Conheci idiotas mesquinhos, mas também doces e carinhosos. Ouvi músicas tristes para chorar e boas para comemorar. Algumas agitadas para extravasar, como gosto! Já quebrei algumas regras, mas quem tem vícios nelas acaba num sofá assistindo televisão. Já perdi pessoas, mas a vida sempre lhe dá novas. Já desperdicei momentos, mas quem nunca o fez? Já chorei por amor, mas ri pelo mesmo também. Nada é tão ruim que não tenha dois lados. Uns gostam de terror, sangue, psicopatia, preto, monstros, reflexão e ressurreição, outros gostam do maravilhoso mundo das princesas, castelos, bons romances, finais felizes, mas não acho um delito agressivo gostar dos dois. Uns gostam de ler, outros de escrever, também não acho erro! Um sempre estimula o outro, tudo é interligado para escrever o destino, alguém está disposto a ler? Leia, boa sorte.

(BRAGA, Luiza; Facebook)

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Poema de sangue

Sangue escorre dos jornais
Todas as manhãs.
Ao torcê-los
Poças de sangue se formam.

Sangue do morador de rua
Das pessoas que moram nas favelas
E até mesmo do meu vizinho.

Triste realidade!
Mas, engraçada, afinal comigo...
Bem, não é comigo
Sendo assim...

Engraçado
Nada é feito
Até um dia.

A poça de sangue não é do vizinho
Nem do morador de rua e nem daqueles
que moram em favelas...

Afinal, todos
Todos já morreram...

Desta vez é o meu!
Engraçado!
Mas perde a graça...

Desta vez nada se pode fazer
Pois já é tarde demais
E o sangue continua a correr.

(CRUZ, Thiago Henrique; 17 anos)

7 de junho de 2012

Labirinto

Um labirinto. Cheio de espelhos. Felipe precisava sair dali. Não sabia como. Corria para todos os lados à procura de um saída. Achava que não havia. Aquilo estava cansando. A cada passo que dava, via seu corpo de diferentes formas e tamanhos. Continuava a correr, até que... um espelho! Diferente dos outros, muito diferente. Felipe olhou para seu reflexo. Se viu muito mais simpático, bonito, atraente, perfeito. Queria ficar o tempo todo olhando para ele. Aquilo lhe causava uma sensação gostosa. Mas não podia ficar parado. Tinha que sair daquele lugar. Não conseguia. Chegou ao ponto de apaixonar-se por si mesmo. Queria estar ali do outro lado, com seu outro eu. Tocou o espelho e sentiu que sua mão podia atravessar. E foi isso que ele... Piiii. Piii. O despertador tocou.

 (COSTA, Ana Lúcia da; 13 anos)

4 de junho de 2012

Desemprego e miséria

Desempregado... Este tá mesmo castigado...
Com chapéu e lampião na mão... Coitado!
Vai correndo por entre os balcão...
Isso é mesmo um pecado...
Do que adianta a esperança?
Já tô cansado de ter...
Porque aqui a gente sabe
Nunca muda nada...
Quem dera se a justiça fosse justa
Nóis sabemo, ela é uma emboscada...

O que será que pensa o condenado?
Deve estar um pouco preocupado...
Com criança pra criá... Boca pra alimentá
Ele toca a vida triste e ferida...

Hoje não tem pão
As criançada pelo chão
Imploram um grãozinho de feijão
O leite também já se foi...
A mãe sem dó nem piedade sacrificou
A vaca que tanto os alimentou...

A alegria também já cessou...
O coitado do pai chora desesperado...
A mãe já não sorri...
E o filhinho, cadê?
Agora é marginal, e por quê?
Não tinha nada a perdê...

Os político pedem nosso voto na TV...
Manipula o povo que não tem querê
E isso é pra você vê o que vai acontecê...
Pois eles não cumprem nada...
Só querem dinheiro e poder
E que se dane a favelada...

O mundo tá castigado...
Nóis queremo dignidade
Amor e também fraternidade...
O que adianta só querê...
Se aqui ninguém tem coragem de fazê...

Do que adianta a esperança?
Já tô cansado de ter...
Porque aqui a gente sabe
Nunca muda nada...
Quem dera se a justiça fosse justa
Nóis sabemo, ela é uma emboscada...

A igreja então piorô
Quem fica cos dinheiro
São tudo os pastô...
E a sociedade não serve nem pra julgá
Pois condena os inocente
E os perigoso ficam tudo no mesmo lugá...

Nesse mundo de injustiça
Os pobre tão condenado
Os rico é que tão liberado
As criancinha não tem estudo nem futuro
Nessa vida que é um jogo duro...

Que futuro pode tê...
Crianças no sinal
Sem sabê lê nem escrevê...
Elas pedem um troquinho
Pros filhinho de papai
Que juram não ter
Nem um centavinho
Essa é a realidade...
Quem faz os marginais
é a própria sociedade...

(FERNANDES, Bruna Frogeri; SANTOS, Thayse Karoline dos; 14 anos ambas)

3 de junho de 2012

Texto indicado: Between blue skies and red cigarettes

O vento frio e cortante de forma alguma me afasta de onde e com quem eu deveria estar. O destino nos induz a cumpri-lo de forma despercebida.
Assistir lenta e desconfortavelmente a sua autodestruição, os teus erros, teus doces e impensados atos. Sentir a emoção te tomando de forma vacilante assim como o gosto da nicotina viciante tomando meu psicológico e meu físico. Rir de suas bobagens, e teu sorriso bobo enquanto tua mente trabalha alegremente para a realização de qualquer coisa, qualquer concretização desnecessária, ou enquanto ela imagina a bobagem que seu amigo fala.
Franzi meu cenho várias vezes, coço a testa, passo a mão pelo pescoço, rio baixinho, zombo de sua bobeira. Seu bobo. Meu amor, como és bobo. Ah, e eu adoro isso. Simplesmente, acho engraçado o quão vazio você é, ou parece ser.
Às vezes, gosto de me imaginar tirando tua máscara branca e sem graça, como já fiz um dia, atualmente. Gosto de te imaginar puro, e límpido. O inseguro e perdido jovem, que não sabe o que pensar, e nem sabe o que achar. Se é que achas algo de alguma coisa.
Eu te confundo? Pois tu me confundes. Nós nos confundimos.
Eu errei? Você erra sempre. Nós erramos.
Eu mudei?
Você nunca muda (ou será que sim?)
Nós mudamos.
Ou não.
Eu não.
Eu te amo.

(BRAGA, Luiza; Facebook)

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1 de junho de 2012

O tempo


Tempo que é tempo tic para tac
Ele só passa tic
Você pode parar tac para pensar tic
Que o tempo tac não para tic
Mas o tempo tac nunca vai parar tic
Para você pensar tac que ele passa tic
Ele simplesmente tac passa tic
E você tac nem percebe tic
E às vezes tac quando você percebe tic
Que ele passa tac
Aí tic já é tarde demais tac
Ele já passou!

(FONSECA, Sabrina Cunha da; 17 anos)
 

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