29 de maio de 2012

Descobrindo o mundo



Eu fui para Laguna. Como lá tinha tufão, fui para Bombinhas. Mas as pousadas estavam lotadas, então voltei para casa.

(MERLIN, Letícia Mielke; 6 anos)

27 de maio de 2012

Texto indicado: A falta de...

Hoje a noite está diferente. O frio se mantém, mas a fumacinha que sai da boca em virtude do frio desapareceu. Foi substituída pela melódica melancólica poesia dos pingos de chuva caindo contra as telhas de zinco. A velocidade é parecida com a que meus dedos se contorcem no ar, tentando achar as palavras. Exatas. Sem aumentar o que não existe. A televisão tenta dialogar comigo, mas eu não dou muita atenção. Será que ela merece esse desprezo? Fala sobre coisas intangíveis no momento. Algo batido como a inflação altíssima durante a ditadura militar, e o plano cruzado. Tão mais simples seria esquecer a política e dar lugar a razão, fazer um plano pra cruzar a tua vida com a minha, de novo. Estou tentando achar o gênero pra esse desenrolar. Poderia ser comédia, se não fosse tão trágico. O jeito que tudo foi se esvaindo, sorrateiramente, e agora, meus momentos de lucidez se encontram tão afastados quanto você. Com alguma sorte, encontro-os durante a madrugada, escrevendo, ou entre algum sonho perturbado. Mas na maioria das vezes, prefiro afogá-los em alguns vários copos de cerveja. Não bebo destilados mais fortes do que o vinho. Eles não me dão o tempo suficiente para fugir dessa realidade, que ainda ouve os pingos de chuva caindo. Sensação magnífica essa de secar o suor do décimo-quinto copo com a ponta dos dedos e, por alguns instantes, sentir um calor no pescoço e ter a certeza de que o décimo-sexto foi seu. Mas nenhuma cerveja conseguiu manter esse frenesi por muito tempo. Queria o compasso necessário entre tomar coragem e, cambaleando, levantar-me do banco desse bar horrível e ir oferecer-lhe um drinque. Ou talvez -palavras não minhas, mas da cerveja- a minha bebida seja fabulosa, e você só queira ficar mais algum tempo sozinha.

(GIRARDI, Guilherme; Facebook
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Esse texto foi indicado por um leitor do blog Furtando Textos.
Irei publicar os textos indicados pelos leitores todo domingo (se tiver algum texto).
Indique um texto também!

26 de maio de 2012

O mosqueteiro


O mosqueteiro achou uma pipa e brincou com ela.
Mas quando a pipa rasgou, o mosqueteiro chorou.
Fim.

(LOPES, Mateus Rydygier Oberlaender; 6 anos)

23 de maio de 2012

Árvore


Da minha janela vejo
um pedaço de árvore.
Mantém,
numa frágil e dolorida imponência,
seus galhos negros cruelmente despidos.
Apontados,
com o orgulho e a violência que dissimulam a dor,
para o céu.

Sei de uma certa alma
que é como esta árvore.
Fria, nua e triste
Envolta nos gelados e hostis ventos de julho.

Esses dias sonhei
com essa mesma árvore.
Que ela voltava a ser verde e folhada
Toda linda e alegre.
Imersa no calor do verão.

(BORDINI, Maria Isabel da Silveira; 17 anos)

20 de maio de 2012

O irmão bom e o mau

A minha estorinha é sobre dois irmãos, um que se chama Emprego e o outro Desemprego. Me falaram que o Emprego é o mais velho deles, mas que apesar da idade é pequenininho,; já o outro dizem que é bem crescido, a ponto de impor respeito ao irmão.
Parece que o Emprego é um cara bem legal, eu não entendo o que ele faz de tão interessante para as pessoas formarem filas maiores do que o caminho para a escola na frente do escritório dela. Ele foi um grande amigo do meu pai, mas um pouco antes de nós nos mudarmos para uma casa bem menor e lá longe do centro da cidade, eles brigaram. Acho que isto aconteceu porque o Desemprego levou o carro novo do meu pai e nunca mais devolveu. Minha mãe disse ainda que o “lazarento” entrou na nossa casa e levou quase tudo de bom que tinha na geladeira. Aí meu pai ficou muito zangado e foi tentar todo dia falar com o Emprego sobre o que o irmão dele havia feito, e ficava horas procurando, mas sempre voltava pra casa e dizia: “Não foi hoje que eu consegui, mas amanhã...”
Um dia minha mãe convenceu o pai de que ele não ia achar o Emprego e também colocou na cabeça do papai que a única solução seria falar com o pai daqueles dois, o Doutor Aposentadoria. Depois de alguns dias tentando, papai conseguiu falar com aquele senhor, que além de ter origem humilde era também pão-duro, mas pelo menos nos deu um carro que meu pai achou meio velho. Deve ser por isso que pintou ele de laranja e grudou umas lampadinhas no teto, e achou o Emprego mas ele não deu quase nada para nós.
Mas minha mãe ainda tá preocupada, diz que sempre vê o Desemprego aqui por perto de casa, por isso que eu não estou mais indo pra escola, ela disse que ele ainda pode me roubar deles também.

(REMOR, Vinicius Amoretti; 16 anos)

A arte de escrever 2


Escrever: tarefa árdua. Árdua porque os pensamentos fluem, mas as palavras... ah, as palavras! Têm mil facetas, mil encantos, mil perigos. Cabe ao escritor colher e escolher as palavras: quais? Esse é o autor: alguém que é dono do seu pensamento, que sabe expressá-lo através de palavras que dêem identidade, que tenham originalidade. 
Um dos mais belos momentos que presenciamos na vida é o acontecimento da fala para uma criança. Não menos encantador é observá-la vencendo os primeiros desafios da escrita, compartilhando sonhos e experiências, percebendo uma nova forma de comunicação que vai aos pouquinhos se desenhando. 
Escrever e ler... é intervir, imaginar, ser o protagonista e deparar-se com o uso livre da fantasia, da ficção e do riso. Depois, ir tomando cada vez mais contato com personagens movidas pelo livre-arbítrio e pela busca da própria identidade. Viajar para ambientes imediatos e longínquos e até mesmo para realidades inalcançáveis. 
Significa também descobrir o encanto dos versos dos nossos grandes poetas, conhecer mais das narrativas de tradição oral e compartilhar da riqueza da nossa língua. Perceber também os fatos atuais, desenvolver o espírito de observação, compor imagens...

(ZAIONC, Eliane Dzierwa; HAGEMEYER, Luciane; - Supervisoras da Área de Línguas e Educação Artística)

A arte de escrever


Quem escreve interfere na realidade, se expõe e define a própria imagem nessa espécie de nuvem que há sobre os homens e que é onde eles efetivamente vivem, interagem e se realizam; uma Nuvem que uns chamam de cultura, outros de linguagem ou universo simbólico. 
Um bebê, na sua primeira faísca de pensamento, vislumbra essa nuvem, mas não a penetra ainda. Belisca-a, como quem come algodão-doce, e não percebe que aos poucos passa a ser envolvido por ela, um universo que é paralelo mas, para nós, humanos, é mais real e decisivo do que o mundo material. Já dentro da Nuvem, os passos da primeira infância são a diversão mais pura: o exercício lúdico da fala, o uso brincalhão da escrita recém-conquistada, a capacidade de ler na imagem e dar cambalhotas na realidade, refazê-la mais engraçada e bela. 
No início da adolescência, os novos inventores/habitantes da Nuvem adaptam-na novamente para uma utilidade mais específica, na relação com o outro (um jeito complicado de dizer namoro, paixão ou poemas de amor), e com a sociedade, quando finalmente as elaborações se tornam mais complexas e o jovem percebe os aspectos políticos de todos os seus gestos e palavras. Muitos, ainda, refazem os primeiros passos e sua escrita volta a ser como no começo: arte.

(ZAIONC, Eliane; HAGEMEYER, Luciane; NASCIMENTO, Luciana Nogueira; - Organização)

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A partir deste texto, irei publicar mais textos furtados do livro Noite e Dia Prosa e Poesia
Este livro contém textos escritos por alunos do Colégio Medianeira, que fica em Curitiba/PR, no ano de 2004. 
As publicações destes textos terão o marcador "Noite e Dia Prosa e Poesia". 
Ao lado do nome de cada autor de cada texto irei colocar a idade respectiva na época da escrita do texto.

A coisa


A gente pensa numa coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa... e, enquanto se passa tudo isso, a coisa propriamente dita começa a desconfiar que não foi propriamente dita.

(QUINTANA, Mário)

O blog, o autor e mais

Do livro “O encontro marcado”

De tudo ficaram três coisas: 
A certeza de que estamos começando, 
A certeza de que é preciso continuar 
E a certeza de que podemos ser interrompidos 
Antes de terminar.

Façamos da interrupção um caminho novo. 
Da queda um passo de dança, 
Do medo uma escada, 
Do sonho uma ponte, 
Da procura um encontro!

(SABINO, Fernando. 1956)

No blog Furtando Textos, irei publicar poesias, poemas, versos, contos... enfim, textos em geral de outros autores. Por enquanto, ainda não publicarei um texto meu (ainda tenho que criar um!).

Estes últimos dias estão sendo muito especiais para mim, pois estou voltando à blogosfera depois de quase dois anos parado.
Fui muito inspirado por amigos e amigas que têm blogs literários. Aí lembrei que é muito bom escrever em um blog. Fiquei com muitas saudades deste mundo e voltei!
Irei publicar textos a cada três dias para não deixar o blog tão desatualizado.



Sobre mim: eu sou Guilherme Spigolan, tenho 19 anos e faço Tecnologias Digitais na Universidade de Caxias do Sul. Sou um apaixonado por livros. Estranho, não? Pois é!
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Espero que todos gostem desse meu novo blog. Para isso, gostaria que vocês comentassem em qualquer post com suas opiniões, sugestões, críticas... Eu quero lhe ouvir (ler!), caro leitor!

Até mais!
 

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